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Marcelo admite recandidatura em 2021 como "efeito colateral" da Web Summit

Chefe de Estado falava durante um encontro com representantes de 'start-ups' portuguesas que vão participar na edição deste ano.
Lusa 29 de Outubro de 2018 às 18:53
Marcelo Rebelo de Sousa
Web Summit
Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit
Paddy Cosgrave
Marcelo Rebelo de Sousa
Web Summit
Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit
Paddy Cosgrave
Marcelo Rebelo de Sousa
Web Summit
Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit
Paddy Cosgrave

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu esta segunda-feira que a permanência da Web Summit em Portugal por dez anos em Portugal possa ter como "efeito colateral" uma recandidatura sua nas presidenciais de 2021.

O chefe de Estado falava durante um encontro com representantes de 'start-ups' portuguesas que vão participar na edição deste ano desta cimeira internacional de tecnologia e inovação, a quem confidenciou que na última noite, em que se realizou a segunda volta das eleições presidenciais no Brasil, dormiu pouco.

"Não dormi muito, como é habitual. E pensei: há alguma vantagem adicional para a minha vida de ter dez anos da Web Summit em Portugal? E eu disse: bom, há algo que pode tornar-se um efeito colateral, não necessariamente muito positivo, que é ter a responsabilidade de me candidatar novamente à Presidência", relatou Marcelo Rebelo de Sousa.

Perante dezenas de participantes portugueses na Web Summit e alguns estrangeiros, no antigo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, num discurso em tom informal, em inglês, o Presidente da República acrescentou: "Não é bom ter este tipo de pressão sobre mim, para ver o resto dos anos [da Web Summit]. Não, não é boa ideia".

Em resposta aos jornalistas, no final desta cerimónia, que durou mais de duas horas, Marcelo Rebelo de Sousa enquadrou estas declarações como uma ironia "com humor anglo-saxónico" e declarou que a sua recandidatura continua uma questão "em aberto" e atualmente fora no seu pensamento: "Falei ironicamente, por não estar no pensamento".

"São dez anos [de Web Summit]. Comecei a contar os anos, são muitos anos, a partir de hoje. E depois ironizei dizendo que, se eu fosse pensar, era bom estar em funções para ter estas reuniões e promover e ter contactos externos sobre a Web Summit, como isso também era uma pressão que tinha aspetos positivos, mas também aspetos negativos em termos de opção", explicou, observando: "Logo se verá".

O Presidente da República reiterou que irá "ponderar em 2020" se sente ou não "um dever de consciência" de se recandidatar, tendo em conta o contexto nacional, europeu e internacional que então existir, e o seu entendimento quanto a se é ou não "a pessoa em melhores condições para desempenhar a função naquele momento histórico".

"Isso só na altura é que pode ser julgado", argumentou Marcelo Rebelo de Sousa.

"Portanto, temos de ver o que se passa no mundo, o que se passa na Europa, o que se passa em Portugal, quais são as alternativas, para poder dizer, em consciência: há o dever de consciência, o dever estrito de ser candidato", reforçou.

Participaram também neste encontro o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o irlandês Paddy Cosgrave, cofundador da Web Summit, a quem o chefe de Estado disse que merece tornar-se português "um dia destes, sem dúvida", o que provocou uma salva de palmas.

Durante estas duas horas, Marcelo Rebelo de Sousa ouviu os representantes de 'start-ups' portuguesas falar dos seus projetos e agradeceu ao cofundador da Web Summit a "decisão sábia e corajosa" de manter esta cimeira em Portugal por dez anos, considerando que "não foi uma decisão fácil".

Em português, o chefe de Estado agradeceu também ao Governo e à Câmara Municipal de Lisboa e destacou a presença do ministro Adjunto e da Economia: "Há aqui um protagonismo que já se percebeu que ele assume com paixão, o que é fundamental fazer com paixão. Podia estar no debate do Orçamento do Estado e está aqui".

Em inglês, o Presidente da República incentivou a Web Summit a manter-se com "qualidade e imaginação" ano após ano, a "não envelhecer demasiado" e as 'start-ups' a ligarem-se à economia portuguesa "como um todo", em particular ao tecido económico de pequenas e médias empresas que, defendeu, "têm de sentir que não estão à margem" deste movimento, evitando "clivagens geracionais".

A edição deste ano da Web Summit vai realizar-se em Lisboa entre os dias 05 e 08 de novembro.

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