Barra Cofina

Correio da Manhã

Cm ao Minuto
8

Marcelo diz que "ninguém usou com tanto brilho a oratória televisiva" como José Hermano Saraiva

Presidente prestou homenagem ao jurista e historiador José Hermano Saraiva.
Lusa 2 de Dezembro de 2019 às 21:59
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, prestou esta segunda-feira homenagem ao jurista e historiador José Hermano Saraiva, afirmando que "era um mágico do verbo" e que "ninguém usou com tanto brilho a oratória televisiva".

O chefe de Estado fez este elogio numa sessão comemorativa do centenário de José Hermano Saraiva, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante a qual esteve sentado ao lado do anterior Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

No final da sessão, numa intervenção de cerca de 25 minutos, Marcelo Rebelo de Sousa partilhou recordações pessoais de José Hermano Saraiva, que considerava como um tio pela proximidade com o seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, e falou sobre o passado do historiador como governante do Estado Novo.

"Quem o conhecesse sabia que experimentava uma complexa coabitação, para não dizer uma divisão inevitável entre o jurista, o professor e o advogado de um lado, e o salazarista, primeiro, e marcelista, depois, preocupado com a estabilidade, a segurança, a sanidade das contas públicas, a vivência da nação e o sonho do ainda império", sustentou.

O Presidente da República elogiou, em particular, as suas capacidades como orador e comunicador de história, descrevendo-o como alguém que "era um mágico do verbo" e que, "por essa via, atravessava quadrantes de pensamento".

"Nunca ninguém usou com tanto brilho a oratória televisiva", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, antigo comentador televisivo.

Segundo o chefe de Estado, José Hermano Saraiva era um cidadão "permanentemente insatisfeito por curiosidade de espírito" e "também aqui em busca do equilíbrio impossível entre a escolha de juventude que o acompanharia na Mocidade Portuguesa, na União Nacional, na Assembleia Nacional, no Governo, e as travessias do deserto impostas pelo seu caráter indomável".

"Passados os tempos revolucionários, o jurista apaixonado pela História, o professor, o orador, o formador, o cidadão renasceram, ou melhor, reafirmaram o que nunca tinham deixado de ser, e chegaria aos milhares, aos milhões de portugueses como nunca o político poderia ter chegado", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se depois àqueles que "dele nunca gostaram, por serem o seu oposto ou pura e simplesmente por nunca o terem entendido".

"Esses nunca compreenderam por que razão milhões de portugueses o ouviram religiosamente, o admiraram zelosamente e com ele comungaram anos e décadas de descoberta de Portugal e do mundo. É que aquele homem era mais, muito mais do que inteligência, brilho, curiosidade permanente, enciclopedismo raríssimo, inventiva e poder de palavra. Era emoção, era identificação pessoal com anseios, sonhos e esperanças dos tais milhões", acrescentou.

O Presidente da República terminou o seu discurso declarando que José Hermano Saraiva conquistou um "lugar privilegiado no coração fiel de milhares ou milhões de portugueses", com "base no afeto", e por isso "não teve apenas popularidade, teve e mereceu celebridade".

"E isso é raro de se ganhar e é mais importante e duradouro do que a popularidade de cada momento. Por isso, cem anos depois, aqui estamos a testemunhar a nossa admiração e nossa gratidão", concluiu.

IEL // MAG

Lusa/Fim

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)