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Marcelo e António Costa 'estreiam-se' na cimeira Ibero-Americana

Evento realiza-se entre esta sexta-feira e sábado em Cartagena das Índias, Colômbia.
28 de Outubro de 2016 às 07:51
Evento contará ainda com a participação do secretário-geral designado das Nações Unidas, o também português António Guterres
Evento contará ainda com a participação do secretário-geral designado das Nações Unidas, o também português António Guterres FOTO: Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, representam Portugal na XXV Cimeira Ibero-Americana, que se realiza entre hoje e sábado em Cartagena das Índias, Colômbia.

A XXV Cimeira Ibero-americana, dedicada ao lema da Juventude, Empreendedorismo e Educação, juntará na Colômbia os chefes de Estado e de Governo de 22 países -- Portugal, Espanha e Andorra e 19 países da América Latina -- e acontece dois anos após a última reunião, realizada em Veracruz, México, em 2014, quando estes encontros passaram a bienais.

Esta será a primeira Cimeira Ibero-Americana quer de Marcelo Rebelo de Sousa, que tomou posse em março, quer de António Costa, que tomou posse em novembro do ano passado. O evento contará ainda com a participação do secretário-geral designado das Nações Unidas, o também português António Guterres.

Ainda antes da cimeira, já em Cartagena das Índias - onde aterrou quinta-feira à noite (madrugada de hoje em Lisboa) vindo de uma visita de Estado de dois dias a Cuba - o Presidente da República terá encontros bilaterais com os seus homólogos da Colômbia e do Peru, Juan Manuel Santos e Pedro Pablo Kuczynski, visita o centro histórico de Cartagena, reúne-se com empresários e participa, com outros chefes de Estado, num debate no Fórum empresarial ibero-americano.

O arranque da cimeira está marcado para as 20:00 locais (02:00 de sábado em Lisboa) com o jantar oficial de chefes de Estado e de Governo.

No sábado, a sessão de abertura da Cimeira arrancará pelas 10:00 (16:00 em Lisboa), com o encerramento previsto para o meio da tarde. A conferência de imprensa nacional está marcada para as 17:30 (23:30 em Lisboa).

Em entrevista à agência Lusa esta semana, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse esperar que esta cimeira seja "um incentivo aos colombianos no esforço para uma paz duradoura", destacando ainda a participação do próximo secretário-geral designado das Nações Unidas, António Guterres.

"Dá a possibilidade de os chefes de Estado e de Governo ouvirem diretamente o novo secretário-geral", disse Santos Silva.

O Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram, no mês passado, um acordo de paz, após quase quatro anos de conversações em Havana, Cuba, para terminar um conflito armado que se prolonga há 52 anos. O ato justificou a atribuição do prémio Nobel da Paz ao Presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

Em entrevista à agência EFE esta semana, Marcelo Rebelo de Sousa disse que levará à Cimeira uma mensagem muito clara: a de que a América Latina é uma prioridade constante para Portugal.

Também em Cuba, o chefe de Estado português apontou a América Latina como uma "grande opção de política externa", região com a qual Portugal tem intensificado relações económicas.

À EFE, Marcelo destacou que esta será a XXV Cimeira Ibero-Americana em que Portugal estará representado pelo seu presidente e primeiro-ministro.

"Portugal manteve sempre, e independentemente da cor política no poder, uma constância no seu interesse ao mais alto nível político pelo debate e espírito de amizade e solidariedade com a comunidade ibero-americana", sublinhou.

Depois da Cimeira Ibero-Americana, o Presidente da República participará com o primeiro-ministro na Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Brasília, na segunda e na terça-feira.

Empresários consideram educação chave para criação de emprego
A criação de emprego nos países ibero-americanos dependerá de uma educação de qualidade, que ofereça oportunidades laborais aos jovens e que esteja orientada para responder aos novos desafios empresariais, segundo o manifesto do IX Encontro Empresarial Ibero-Americano.

O encontro de empregadores, a que assistem representantes de 22 países, começou na quinta-feira em Cartagena das Índias, no âmbito da XXV Cimeira Ibero-Americana de chefes de Estado e Governo, que este ano será focada na juventude e empreendedorismo.

Perante os mais de 600 empresários que assistiam ao encontro, a secretária-geral ibero-americana, Rebecca Grynspan, sublinhou a importância de manter a juventude como a "principal força" dos países ibero-americanos e disse que desaproveitar o seu potencial é "uma perda de oportunidade".

"A juventude é o nosso principal desafio e a nossa principal força. São mais de 160 milhões de pessoas que constituem a geração jovem mais numerosa, mais educada e mais exigente da história da nossa região", declarou Grynspan, dizendo que não está a ser "aproveitada em todo o seu potencial".

Um quarto dos jovens ibero-americanos não trabalha nem estuda, a taxa de desemprego jovem "é o dobro da da população geral" e os que trabalham fazem-no sobretudo no mercado informal, indicou.

Outro problema apontado por Grynspan são as ofertas educativas dirigidas aos jovens "desalinhadas" com as opções do mercado laboral, cum uma elevada percentagem das empresas a dizerem "ter dificuldade para encontrar o pessoal de que necessitam".

O secretário permanente do Conselho Empresarial Ibero-Americano, o espanhol Juan Rossell, considerou, na sua intervenção, que "sem mais e melhor educação" as empresas não poderão enfrentar os desafios do futuro.

"A pobreza a nível mundial terá de ser combatida com mais e melhor educação e, por fim, mais e melhores empresas", assinalou, sublinhando a importância de educar também "a classe empresarial" e lamentando que a academia não dialogue com o mundo empresarial.
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