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Menor raptado por causa da droga do pai conta agressões em tribunal

Jovem de 15 anos foi espancado por grupo de quatro homens para dizer onde estavam pacotes de haxixe.
22 de Janeiro de 2019 às 13:12
Tribunal de São João Novo, no Porto
Tribunal de São João Novo, na cidade do Porto
Tribunal de São João Novo
Tribunal de São João Novo, no Porto
Tribunal de São João Novo, na cidade do Porto
Tribunal de São João Novo
Tribunal de São João Novo, no Porto
Tribunal de São João Novo, na cidade do Porto
Tribunal de São João Novo
Um jovem de Ermesinde (Valongo) que terá sido raptado para o forçarem a revelar onde o pai teria escondido 12 quilos de haxixe contou esta terça-feira em tribunal que era agredido sempre que afirmava desconhecer o paradeiro da droga.

"Cada vez que eu dizia que não sabia, levava um chuto", disse o rapaz, que tinha 15 anos à data dos factos e que depôs no tribunal de São João Novo, no Porto, na ausência momentânea dos arguidos do processo, a pedido do Ministério Público (MP).

As agressões, testemunhou, ocorreram num momento em que já teria sido atirado para a caixa de carga de um furgão, onde lhe taparam a cabeça com um saco de plástico e uma camisola preta e lhe colocaram uma corda em volta do pescoço, além de lhe amarrarem os pulsos com abraçadeiras plásticas.

São quatro os acusados de raptar e agredir o rapaz. Um deles esteve ausente e os restantes três optaram pelo silêncio.

Os factos ocorreram na noite de 5 de maio de 2017, em Ermesinde, no concelho de Valongo, e os quatro acusados no processo, atualmente com idades entre 23 e 40 anos (três deles irmãos), estão todos acusados pela prática, em coautoria material e sob a forma consumada, de um crime de rapto agravado.

No caso de um dos três irmãos acresce a imputação de um crime de coação agravada, ofensas à integridade física qualificada e outro ainda de furto simples.

No seu testemunho, ao longo de quase toda a manhã, o jovem ofendido admitiu dificuldades em explicar "exatamente quem fez o quê", dado que parte dos factos ocorreram quando se encontrava de cabeça tapada.

De acordo com o MP, num relato que o jovem secundou em tribunal, os arguidos acreditavam em "rumores" que "circulavam" em Ermesinde, segundo os quais o pai do menor teria escondido 12 quilos de haxixe, antes de ser detido por narcotráfico no âmbito de duas operações da PSP do Porto, sob o nome de código "Fruta de Marrocos", ambas realizadas em março desse ano.

Na versão credibilizada pelo MP para os factos ocorridos na noite de 05 de maio de 2017 indica-se que o menor foi atraído a um local discreto por um dos arguidos. "Desconfiado do intuito daquele encontro", ainda assim foi.

Depois de insistentemente questionado sobre a localização do "resto da droga" do pai, acabou atirado para um furgão Mercedes.

Taparam-lhe a cabeça e manietaram-no, continuando a exigir-lhe, por entre agressões, que indicasse o paradeiro do haxixe.

Conta a acusação que o rapaz foi levado para um barracão em Alfena, outra localidade do concelho de Valongo, onde a coação e as agressões prosseguiram.

A sucessão de episódios violentos só terminaria quase duas horas depois do início, quando o menor foi abandonado ainda com o saco de plástico na cabeça.

Apesar de ameaçado de morte, caso relatasse o que tinha sucedido, foi à esquadra local da PSP e contou tudo.

A sessão julgamento foi marcada por problemas no sistema informático do tribunal.
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