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Correio da Manhã

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MIL PÁRA-QUEDISTAS SALTAM NO NORTE

Cerca de um milhar de pára-quedistas da 173ª Brigada Aerotransportada norte-americana, com base em Vicenza, Itália, saltaram esta noite sobre o Norte do Iraque e assumiram o controlo de um aeródromo em território curdo. Ao sétimo dia de guerra, as forças da coligação abriram decididamente uma nova frente na invasão.
26 de Março de 2003 às 23:50
Vídeo militar norte-americano mostra imagens do salto
Vídeo militar norte-americano mostra imagens do salto FOTO: cnn.com
A Frente Norte, bloqueada pela Turquia, ao não autorizar a passagem de 60 mil soldados pelo seu território, esteve sempre nos planos da coligação. Desde domingo à noite que aviões norte-americanos têm largado elementos de forças especiais nos dois aeródromos controlados pelos curdos iraquianos no seu ‘feudo’ no Norte do Iraque. Entre domingo e terça-feira, a presença de soldados norte-americanos naquela região terá aumentado de entre 30 a 40 para mais de 200. Aparentemente, estes elementos serviram de batedores para garantir a segurança do ‘salto’ realizado esta noite, o maior movimento de tropas norte-americanas naquela zona desde o início da hostilidades.

O tenente-corenoel Thomas Collins, porta-voz da Força de Intervenção do Exército norte-americano no Sul da Europa, confirmou à televisão CBS a ‘largada’ de cerca de mil pára-quedistas, cerca da meia-noite local (21h00 em Lisboa). Um fonte junto do Pentágono disse à agência Reuters que, brevemente, vai ser largado na região equipamento para a força de combate.
BAGDAD AGUARDA CERCO
O ministro iraquiano da Defesa, Hashim Ahmed, afirmou esperar que os aliados consigam cercar Bagdad “dentro de cinco a dez dias”, mas assegurou que o Exército e o povo iraquiano sairão vitoriosos.
“Temos as nossas defesas preparadas. Não será nenhuma surpresa se eles conseguiram cercar Bagdad dentro de cinco ou dez dias. Têm capacidade para isso”, admitiu o ministro, que previu que os aliados terão que entrar na cidade, e será aí, nas ruas, que a batalha será decidida. “O inimigo pode evitar a resistência das tropas iraquianas e viajar pelo deserto enquanto quiser. Mas até onde pode ir? No final, vai ter que entrar em Bagdad”, afirmou o ministro, que prometeu que as suas forças resistirão a todos os ataques e vencerão o inimigo.
Estas declarações parecem confirmar o “pior cenário” previsto pelos estrategas norte-americanos, precisamente o de uma guerra urbana, rua por rua e casa a casa, que poderá arrastar-se durante meses com baixas impensáveis e inaceitáveis aos olhos da opinião pública mundial.
Entretanto, a capital iraquiana sofreu ontem o pior dia de bombardeamentos desde o início da guerra, com pelo menos quatro vagas de ataques a atingirem os palácios de Saddam e alvos na periferia a sul da cidade. Não há notícias sobre o número de vítimas destes ataques.
QUATRO TIROS NO CAPACETE
Eric Walderman é o que se pode chamar um soldado de sorte. Apanhado no meio de um violento tiroteio na cidade portuária de Umm Qasr, teve o azar de ficar na mira de um atirador iraquiano, que disparou nada menos que quatro tiros, todos cuidadosamente apontados à cabeça do jovem fuzileiro britânico. Valeu-lhe, porém, o capacete, que deteve as certeiras balas que lhe eram dirigidas. Um centímetro abaixo, e Eric, de 25 anos, estaria neste momento no rol das vítimas mortais da guerra.
Refira-se que o capacete que salvou a vida de Eric é feito de um novo material, um polímero plástico ultra-resistente, 40 por cento mais forte que o aço de que eram feitos os capacetes militares mais antigos.
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