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Correio da Manhã

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Militares não estão com Ialá

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, declarou esta segunda-feira que "os militares (guineenses) jamais entrarão numa aventura política. O general Bitchofela Na Fafe, chefe do Comité Militar responsável pelo golpe de 2003, declarou fidelidade ao presidente interino Henrique Rosa. Tudo indica que Kumba Ialá está isolado, depois de ontem ter autoproclamado o seu regresso à presidência do país.
16 de Maio de 2005 às 12:35
Carlos Gomes Júnior (na foto) afirmou ter garantias de que os militares guineenses não vão intervir
Carlos Gomes Júnior (na foto) afirmou ter garantias de que os militares guineenses não vão intervir FOTO: arquivo cm
O ex-presidente da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, autoproclamou-se ontem presidente da República, afirmando que vai terminar o seu mandato de cinco anos, interrompido por um golpe de Estado em 2003.
Ialá baseou-se no facto de o Supremo Tribunal ter considerado nula a sua carta de renúncia, e afirma agora que as eleições presidenciais de 19 de Junho são um caso “que se verá mais tarde”.
A iniciativa de Ialá, ainda que potencialmente lesiva para os planos de normalização constitucional, nomeadamente para as eleições presidenciais do próximo dia 19 de Junho; nunca passará de uma simples declaração de intenções se não tiver o apoio dos militares guineenses. Esse apoio não existe (ou, pelo menos, parece não existir), pelo que a manhã em Bissau decorreu com tranquilidade, ainda que estejam agendadas duas manifestações pela paz, esta tarde, na capital guineense.
Logo pela manhã, o primeiro-ministro guineense, que se encontra em Lisboa em visita privada, afirmou não compreender a atitude de Kumba Ialá, comentando que esta desacredita a Guiné-Bissau, pode perturbar a ordem pública e complica as relações com a comunidade internacional. Carlos Gomes Júnior concluiu, no entanto, que a autoproclamação de Ialá não vai influenciar o processo eleitoral.
O primeiro-ministro da Guiné-Bissau explicou estar tranquilo por que, antes de viajar para Lisboa, conversou com as chefias militares. Segundo Carlos Gomes Júnior, os militares garantiram-lhe que não vão interferir, seja no que for, mantendo-se firmes no comproisso assumido no sentido de deixar a política para os políticos. Gomes Júnior deve seguir viagem amanhã para Moçambique, mas admitiu antecipar o seu regresso a Bissau, caso a situação assim o exija.
As palavras do primeiro-ministro guineense foram rapidamente secundadas pelo general responsável pelo comité militar que destituiu Ialá em Setembro de 2003. "O Comité Militar mantém-se leal ao presidente Henrique Rosa (Chefe de Estado interino)", declarou o general Na Fafe, citado pela agência Reuters.
O Comité Militar, que desempenha um papel de assessoria do governo, é na sua maior parte constituído por elementos da mesma etnia de Ialá (balantas). Alguns foram mesmo apoiantes declarados de Ialá no passado, apesar de terem participado na acção militar que lhe retirou a presidência.
O general Na Fafe adiantou ainda que o Comité Militar vai reunir-se hoje com o ministro da Defesa. Também para esta segunda-feira é aguardada com expectativa uma declaração do presidente interino Henrique Rosa, que ainda não reagiu à iniciativa de Ialá.
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