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Ministério Público acusa rede criminosa que transportava drogas de Espanha para o Porto

"Realizaram, pelo menos, 40 transportes de estupefaciente, em quantidades médias de 20 quilogramas de canábis de cada vez", diz o MP.
Lusa 30 de Março de 2022 às 13:07
Ministério Público
Ministério Público FOTO: Tiago Sousa Dias
O Ministério Público (MP) acusou 18 arguidos de pertencerem a uma rede criminosa que transportava drogas de Espanha para distribuição na cidade do Porto, avaliado em 5,4 milhões de euros, anunciou a Procuradoria-Geral Regional do Porto (PGRP).

Em nota publicada na página da Internet, a PGRP diz que o MP "considerou indiciado que, entre junho de 2020 e maio de 2021, três dos arguidos, agindo conjuntamente, dedicaram-se à compra, venda, distribuição, transporte e cedência quer a consumidores, quer a indivíduos que para eles revendiam, concretamente, heroína, cocaína e canábis".

"O produto estupefaciente comercializado era adquirido pelos arguidos predominantemente em Espanha, em particular na ilha Cristina ou em Punta Umbria, e distribuído na cidade do Porto, mais concretamente no bairro de Francos", sustenta o MP.

Entre junho de 2020 e maio de 2021, os arguidos "realizaram, pelo menos, 40 transportes de estupefaciente, em quantidades médias de 20 quilogramas de canábis de cada vez".

De acordo com a acusação, os três principais arguidos "constituíram um grupo criminoso, ao qual aderiram os demais arguidos, incumbindo-lhes tarefas distintas".

"Na atividade criminosa liderada por esses três arguidos, cabia-lhes os contactos com fornecedores, acertando as quantidades e preços do estupefaciente e com clientes (revendedores), bem como a distribuição de tarefas e controlo das atividades dos demais arguidos, tendo um desses arguidos, inclusive, alterado a sua residência para o Algarve para agilizar as operações de aquisição e transporte da canábis desde Espanha até ao Porto", sublinha a PGRP.

Os restantes arguidos assumiam tarefas distintas, competindo-lhes "assegurar o acompanhamento, a vigilância e a segurança do transporte do estupefaciente, a organização da logística associada às viagens, as tarefas de armazenamento e doseamento do estupefaciente, e a distribuição do estupefaciente por outros revendedores ou diretamente a consumidores".

"Os arguidos recorriam, essencialmente, a veículos alugados nas suas deslocações para o transporte do estupefaciente e pagamentos, alternando os veículos usados durante o transporte do estupefaciente, e recorriam ao arrendamento de vários espaços, para armazenar o estupefaciente ou a organizar o seu transporte, como forma de afastar eventuais seguimentos das autoridades policiais", diz a acusação.

Segundo o MP, "com esta atividade criminosa, os arguidos comercializaram estupefaciente no valor global" de 5,4 milhões de euros.

Aquando das buscas, as autoridades apreenderam na posse dos arguidos, "além de quantias monetárias, diversos veículos e instrumentos usados na atividade criminosa, mais de 37 quilogramas de canábis, bem como cocaína e heroína destinados à venda a terceiros".

Foram ainda encontradas, na posse de alguns dos arguidos, várias armas de fogo, carregadores e munições.

Na acusação, o Ministério Público requereu a perda de todos os bens e valores apreendidos, e ainda que fosse declarada a perda a favor do Estado 82.643 euros, "valor apurado do património incongruente de três dos arguidos".

Dez dos arguidos encontram-se sujeitos à medida de coação de prisão preventiva.

A acusação foi deduzida em 18 de março pelo MP na Comarca do Porto (11ª secção Departamento de Investigação e Ação Penal Porto).

Em causa estão crimes como tráfico de estupefacientes, tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa e detenção de arma proibida.

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