Barra Cofina

Correio da Manhã

Cm ao Minuto
1

MNE entende operação militar na Síria mas quer regresso ao "plano político"

"Julgo que nós todos estamos bem cientes de é preciso evitar a todo o custo qualquer escalada", diz Augusto Santos Silva.
Lusa 16 de Abril de 2018 às 15:00
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros

O ministro dos Negócios Estrangeiros reafirmou esta segunda-feira, no Luxemburgo, que a operação militar levada a cabo por Estados Unidos, Reino Unido e França na Síria é compreensível, mas sublinhou a necessidade de fazer regressar o processo "para o plano político".

"Julgo que nós todos estamos bem cientes de é preciso evitar a todo o custo qualquer escalada. Todos nós ouvimos bem as palavras do secretário-geral das Nações Unidas (António Guterres) e as diferentes partes têm também em atenção os sucessivos apelos da União Europeia no sentido de voltar este processo para o plano político, que é o único plano de soluções possíveis", disse Augusto Santos Silva, após participar numa discussão sobre a Síria, durante uma reunião de chefes de diplomacia da UE.

Lamentando a "manifesta impossibilidade prática" de ser levada a cabo no terreno uma investigação independente sobre o uso de armas químicas no conflito sírio, o ministro realçou que as indicações dadas pelos "aliados" é de que "os alvos da operação militar conduzida na noite de sexta para sábado passado, são instalações de desenvolvimento, de produção e de armazenamento de armamento químico", o que justifica a intervenção, que foi contida.

"Do nosso ponto de vista, sim, é suficiente para compreender que a operação militar foi uma medida específica, obedeceu aos princípios de contenção, teve o cuidado de se dirigir apenas contra instalações militares e instalações destinadas à produção e ao armazenamento de armamento que é proibido", disse.

De acordo com o ministro, "essa operação não significou nenhuma tentação de fazer subir as tensões na região, não tem nenhum objetivo de provocar nenhuma espécie de mudança de regime na Síria, destina-se apenas a prevenir o uso de armamento químico e também pressionar o regime sírio no sentido de que o processo político possa prosseguir e possa prosseguir com resultados".

Santos Silva falava aos jornalistas à margem de um Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia, por ocasião da qual os 28 disseram "entender" a intervenção militar de Estados Unidos, Reino Unido e França na Síria, e condenaram "o uso continuado e repetido" de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad.

"O Conselho entende que os ataques aéreos de Estados Unidos, França e Reino Unido dirigidos a instalações de armas químicas na Síria foram medidas específicas tomadas com o objetivo único de prevenir o uso de armas e substâncias químicas por parte do regime sírio para matar o seu próprio povo", declararam.

Os chefes de diplomacia dos 28 lembraram as "persistentes e brutais violações do direito internacional" perpetradas pelo governo de Bashar al-Assad, e condenaram "veementemente o uso "continuado e repetido" de armas químicas pelo regime de Damasco, incluindo o recente ataque em Douma, que supôs "uma violação grave do direito internacional e uma afronta à decência humana".

"O Conselho apoia todos os esforços empreendidos na prevenção do uso de armas químicas", acrescenta a nota, subscrita pelos ministros dos 28 Estados-Membros, hoje reunidos no Luxemburgo, dois dias após a intervenção militar de Estados Unidos, França e Reino Unido na Síria.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE consideraram que a situação atual deve ser usada para "revigorar" o processo para encontrar uma solução política para o conflito na Síria.

"A UE reitera que não pode haver uma solução militar para o conflito. Contrariamente a esta posição, desde o ano passado que o regime sírio, apoiado pelos aliados Rússia e Irão, intensificou as operações militares, sem salvaguardar as baixas civis. A UE condena veementemente todos os ataques, deliberados e indiscriminados, contra as populações civis e contra infraestruturas como hospitais e escolas", sublinharam.

O Conselho concluiu também que qualquer "transição política genuína" tem de resultar das conversações de paz de Genebra (Suíça), e de respeitar a integridade e soberania do território sírio, e reforçou o apoio à oposição síria no seu compromisso de construção do processo político em Genebra.

À entrada para a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, já tinha defendido que é "vital retomar o processo político liderado pela ONU", e relançar conversações políticas significativas com a Síria, nas rondas de conversações de paz que decorreram em Genebra.

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram no sábado uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do governo de Bashar al-Assad.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)