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Municípios cortam nas luzes de Natal

Em tempo de contenção financeira, somam-se os municípios que vão diminuir os gastos com iluminações de Natal e na maioria as percentagens de redução têm dois dígitos. Noutros concelhos, as contas nem precisam ser feitas: as luzes não vão sequer acender-se.
20 de Novembro de 2011 às 11:16
Somam-se os municípios que vão diminuir os gastos com iluminações de Natal
Somam-se os municípios que vão diminuir os gastos com iluminações de Natal FOTO: d.r.

Em 2010, uma petição 'online' dirigida aos presidentes da Assembleia da República, da Associação Nacional de Municípios e das câmaras de Lisboa e Porto, com mais de 1300 assinaturas, tentou "acender uma ideia" apontando a necessidade de poupar dinheiro num "Natal sem luzes".

Embora o pedido não tenha recebido a resposta esperada, este ano as duas autarquias cederam pelo menos ao objectivo de uma poupança significativa ­ em Lisboa os gastos são de 150 mil euros, menos 700 mil do que no ano passado, enquanto no Porto o investimento será cortado em "40 a 50%", segundo informação dos municípios.

A Lusa encontrou muitos outros exemplos desta tendência por todo o país. No Norte, as reduções em Viana do Castelo, Matosinhos e Vila do Conde fixaram-se, respectivamente, em 20%, 23% e 25%. Já a Câmara da Póvoa de Varzim decidiu cortar por completo com as iluminações, poupando 80 mil euros, o valor gasto em 2010.

A opção foi também tomada em Torres Vedras, Lourinhã, Alenquer, Vila Franca de Xira, Azambuja e Portalegre, concelho onde poderá apenas surgir uma situação excepcional numa das principais artérias comerciais. Segundo fonte do município, a verba inicialmente prevista para as iluminações será canalizada para projectos de acção social.

Num modelo distinto, a Câmara de Évora revelou que vai ser aplicado um total de 15 mil euros no sistema luminoso e na ajuda às famílias mais carenciadas. Em Beja, o vereador Miguel Góis adiantou que no município os "constrangimentos financeiros" obrigam a uma redução de "cerca de 75 a 80%".

Em vários concelhos, a redução substancial do investimento não é novidade: Penacova, por exemplo, já o diminuiu em 50% em 2010. Este ano a redução será maior, prevendo-se não exceder os 3000 euros, que já incluem o pagamento de 100, 75 e 50 euros aos três comerciantes ou habitantes que vençam o concurso de melhor iluminação.

Condeixa-a-Nova mantém uma verba idêntica à de 2010, cerca de 5000 euros, que representam um quarto dos perto de 20000 euros investidos em 2009, enquanto Cantanhede instalou luzes pela última vez já em 2008, gastando 100 mil euros.

Na Guarda a contenção do ano passado repete-se com a instalação de apenas "algumas luzes" e, na região de Lisboa, o Barreiro já anunciou que as lâmpadas não vão ser acesas pelo segundo ano consecutivo, amealhando 25 mil euros.

Ainda por decidir estão os gastos ­ ou as poupanças ­ de municípios como Miranda do Corvo, Figueira da Foz, Coimbra, Arganil ou Carregal do Sal, alguns dos quais fizeram cortes no Natal passado. Já determinados, outros concelhos reagiram à crise optando por diferentes soluções, como aplicar as verbas no sorteio de um carro entre os clientes do comércio tradicional (Proença-a-Nova) ou instalar o sistema com recurso a funcionários municipais para poupar na mão-de-obra (Ponta Delgada e Oliveira do Hospital).

A contenção é tanta que chega aos locais habitualmente pouco iluminados. É o caso de Castro Daire, onde as extensões eram colocadas em menos de uma dezena de árvores, número que será reduzido. Na ilha do Corvo, o presidente Manuel Rita diz que não é tempo para "entrar em euforias", pelo que se mantém a tradição de iluminar apenas a criptoméria no exterior dos Paços do Concelho.

No Funchal, as luzes vão brilhar no âmbito de um investimento global de quase dois milhões de euros que inclui a iluminação natalícia do Porto Santo e o Carnaval de 2012. O processo de ajuste directo está quase concluído.

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