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Neonazi quebra o silêncio

Acusada de diversos assassínios na Alemanha nega simpatia pela ideologia nazi.
29 de Setembro de 2016 às 15:33
Beate Zschape
Beate Zschape FOTO: Getty Images
A principal acusada de um dos maiores julgamentos do pós-guerra na Alemanha quebrou esta quinta-feira um silêncio de três anos, afirmando já não ter simpatia pela ideologia nazi e condenando a série de assassínios racistas de que é acusada.

"Atualmente, já não tenho qualquer simpatia pela ideologia nacional-socialista", declarou ao Tribunal de Munique (sul) Beate Zschape, 41 anos, que até agora se tinha recusado a falar no seu julgamento, iniciado em maio de 2013.

Beate Zschape disse ainda que já não julga as pessoas "em função das suas opiniões ou das suas origens, mas em função dos seus atos".

"Condeno o que Uwe Mundlos e Uwe Bohnhardt fizeram às vítimas", adiantou, sem reconhecer, no entanto, ter participado nos crimes.

Em dezembro, Beate Zschape, que arrisca a prisão perpétua, negou num texto lido pelo seu advogado qualquer participação nos nove assassínios xenófobos, bem como no de uma polícia, ocorridos entre 2000 e 2007. Mas admitiu uma responsabilidade "moral" por não ter sido capaz de "influenciar" os seus cúmplices já mortos.

Zschape, que viveu 14 anos na clandestinidade, apresentou-se então como companheira passiva dos seus dois colegas do grupúsculo neonazi Clandestinidade Nacional-Socialista.

Segundo ela, os dois homens, que se mataram em novembro de 2011 quando estavam prestes a ser descobertos pela polícia, planearam e fizeram tudo sozinhos.

Ao lado de Beate Zschape no banco dos réus estão quatro outros neonazis suspeitos de terem dado ajuda logística ao trio.

Originária de Iena (leste), Zschape entrou na clandestinidade em 1998, quando o trio foi descoberto pelos serviços de informação internos.

"Antes de 1998, num círculo de amigos da época, identifiquei-me com aspetos da ideologia. Depois de entrar na clandestinidade, temas como o medo da invasão de estrangeiros tornaram-se cada vez menos óbvios para mim", declarou ainda ao tribunal.

As oito vítimas mortais do grupúsculo são na maioria turcos ou de origem turca e o caso chocou a Alemanha porque o trio conseguiu manter-se ativo durante anos impunemente, mostrando as deficiências dos serviços de informações.
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