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Correio da Manhã

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Nicolás Maduro diz que "ainda não é tempo de perdão" na Venezuela

O presidente venezuenalo diz que é tempo de "justiça severa" contra os oposicionistas
13 de Abril de 2014 às 23:40
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro referiu-se hoje à exigência da oposição, de que seja criada uma lei da amnistia, vincando que "ainda não é tempo de perdão", mas "de justiça severa".

A criação de uma lei de amnistia para os presos políticos e exilados é uma das condições exigidas pela coligação Mesa de Unidade Democrática, da oposição, para dialogar com o governo venezuelano.


"A revolução tem demonstrado nobreza, ao tratar delitos cometidos no campo da luta política. Mas há tempos de justiça, que nos levam à paz, e tempos de perdão, que nos levam ao mesmo caminho", frisou Maduro.


Numa entrevista concedida ao diário venezuelano Últimas Notícias, Nicolás Maduro precisa que "agora é o tempo da justiça severa, porque, na Venezuela, se montou uma insurreição armada, sobre os protestos da oposição". "Há uma rede de paramilitares, com pelo menos dois mil ativistas, que tem realizado ações violentas, como a queima de universidades, sedes de ministérios, viaturas oficiais e escolas. Assim, o momento ainda não é de perdão".


Sobre a contestação do movimento estudantil, Maduro diz que "não é maioritário", que "se encontra muito fraturado", tendo "muitos setores a impor a política de 'não diálogo'".


Como exemplo, refere que um dos dirigentes, Juan Requesenses, presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade Central da Venezuela, que "está submetido a pressões", apesar de "querer dialogar e o ter feito, com vários ministros, mas escondido e assustado".


"As portas de Miraflores [palácio presidencial] estão abertas, e não tenho parado de os convidar ao diálogo. Aqui os receberei quando quiserem vir em paz", afirmou.


Segundo Nicolás Maduro, o que a revolução bolivariana pode oferecer "é avançar a um modelo económico que inclua, ainda mais", "setores da oposição e do empresariado que dizem sentir-se excluídos, a fim de que se envolvam diretamente no processo de crescimento e desenvolvimento económico, de investimentos, de intercâmbio de opiniões, sempre dentro do modelo económico que delineou o comandante [Hugo] Chávez", disse.


Para o presidente venezuelano, se o governo conseguir "que a oposição se convença a respeitar a Constituição e o 'chavismo', como força maioritária, com um projeto político, já seria um grande avanço no fortalecimento da democracia". "De parte da oposição, não aspiro a que condenem a violência como método político para a tomada de poder e como método para fazer oposição", frisou.


Por outro lado, Maduro denunciou "fatores da direita internacional determinados a acabar com a revolução bolivariana". "Esses fatores imperiais têm muito poder e influência nos setores da extrema-direita venezuelana que, por sua vez, têm envenenado boa parte dos votantes da oposição. Eu diria que mais da metade desse eleitorado segue a extrema-direita de maneira quase cega".


Aos setores da esquerda socialista que possam ter dúvidas sobre a justiça dos processos de diálogo, de debate público e de reconhecimento, insiste "que é o único caminho para a paz".


"A Venezuela, para fazer uma revolução, não deve ir para uma guerra. O nosso repto é governar bem e resolver os problemas das pessoas, ampliar a base política e social que nos legou o nosso comandante [Hugo Chávez], nunca eliminar o adversário", frisou.


Sobre os Estados Unidos, Maduro diz que "estão a desperdiçar uma oportunidade de ouro para iniciar relações de respeito com a revolução bolivariana".


Há dois meses que se registam diariamente protestos em várias regiões da Venezuela, causando 42 mortos, mais de 600 feridos e avultados danos materiais

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