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Novo Banco: há "um despedimento coletivo encapotado"

Afirmação da Comissão Nacional de Trabalhadores (CNT).
Lusa 17 de Março de 2016 às 17:09
Fachada de uma depêndencia do Novo Banco, em Lisboa
Fachada de uma depêndencia do Novo Banco, em Lisboa FOTO: Ricardo Pereira/Sábado

A Comissão Nacional de Trabalhadores (CNT) do Novo Banco acusou esta quinta-feira no parlamento a administração liderada por Stock da Cunha de estar a proceder a um "despedimento coletivo encapotado", propondo um programa de reformas voluntárias como alternativa.

"Neste momento aquilo a que estamos a assistir é um despedimento coletivo encapotado. É um processo seletivo. As pessoas foram escolhidas a dedo", denunciou Rui Geraldes, porta-voz da CNT, durante a audição parlamentar na Comissão de Trabalho e Segurança Social.

Segundo o responsável, o atual programa de rescisões por mútuo acordo, pelas suas características, "é obrigatório, porque quem não quiser aceitar, sabe que depois vai haver um despedimento coletivo".

Rui Geraldes revelou que entre as várias pessoas que já foram chamadas para aderirem ao programa de rescisões, encontram-se "pessoas com doenças oncológicas, com filhos deficientes, trabalhadores deficientes, pessoas com baixas médicas prolongadas, famílias numerosas e monoparentais".

Daí, o representante dos trabalhadores do Novo Banco assinalou que "não houve cuidado social nas seleções".

E reforçou: "Não verificámos nenhum tipo de critério sobre as pessoas escolhidas. Tivemos pessoas que foram chamadas depois de terem sido promovidas por mérito em janeiro de 2016. Dois meses depois querem que saiam do banco".

O porta-voz da CNT disse ainda que "no meio do processo organizativo, o banco criou uma nova função (em novembro ou dezembro) para onde deslocou pessoas, que agora selecionou para saírem. E também chamou pessoas com avaliações excelentes".

Em alternativa a este processo "seletivo e não aberto a voluntários", ou seja, é a equipa de gestão que seleciona quem deve sair e os trabalhadores não se podem candidatar a este programa de rescisões por mútuo acordo, a CNT propõe que seja feito "um programa de reformas voluntárias com condições" atrativas.

A CNT é ainda da opinião que "o Novo Banco devia passar para a esfera do Estado, de forma a criar valor, e depois podia ser vendido em melhores condições. Isto mantinha viável um dos principais bancos portugueses".

De acordo com o responsável, caso tal não aconteça, "prevê-se uma venda ao desbarato com consequências muito gravosas para todos os trabalhadores e todos os contribuintes".

A 25 de fevereiro, a administração do Novo Banco deu conta que, no âmbito do plano de reestruturação acordado com Bruxelas, têm que sair mais 500 trabalhadores da entidade durante este ano (depois dos 500 que já saíram ao longo dos últimos meses), e tem que haver um corte de 150 milhões de euros nos custos operacionais.

PCP chama administração do fundo de resolução para esclarecer futuro do Novo Banco
O grupo parlamentar do PCP apresentou um requerimento para ouvir em sede de comissão parlamentar a administração do fundo de resolução bancário sobre o plano estratégico de futura alienação do Novo Banco, ex-BES.

O anúncio da convocatória dos responsáveis pela entidade encarregada de vender o Novo Banco foi feito pelo deputado comunista Miguel Tiago na reunião da Comissão de Trabalho e Segurança Social.

Os deputados estão reunidos naquela sede, no parlamento, a ouvir em audiência membros da comissão de trabalhadores do Novo Banco.

Comissão Nacional de Trabalhadores Novo Banco política PCP
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