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Correio da Manhã

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"O cenário previsto para Portugal é dramático"

Francisco Ferreira, elemento da Quercus, sobre o relatório sobre alterações climáticas feito pelo IPCC.
28 de Setembro de 2013 às 00:16

Correio da Manhã – Qual é o cenário previsto para Portugal?

Francisco Ferreira – É dramático. Temos de apostar seriamente na adaptação às alterações climáticas. É uma zona de risco à escala mundial. Teremos menos chuvas e mais concentradas no tempo, associadas a cheias. Mais ondas de calor e mais fogos. Mais gastos no combate aos efeitos do aumento do nível do mar. Mais pobreza e menor biodiversidade.

Estamos preparados?

Temos de concretizar o plano estratégico de adaptação às alterações climáticas. O desafio é aumentar a produção e manter os níveis atuais de emissão de gases com efeito de estufa.

A que se deve a pausa no aquecimento do planeta?

Não há verdadeiramente uma pausa. Algumas personalidades nos EUA – conhecem-se quem são, têm interesses na indústria dos combustíveis fósseis – querem passar essa ideia.

Então como se explica?

É um fenómeno conhecido. O aquecimento, combinando o verificado no ar e oceano, continua sem parar. O que se assiste é a que o calor do ar à superfície está a ser absorvido pelo oceano. Em breve será o contrário.

Mesmo assim têm dúvidas...

A indústria dos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, é muito poderosa. Os dados, apresentados e validados por centenas de cientistas, são reconhecidos até ao nível político.

Quando é para decidir tudo falha. Porquê?

Uma coisa é reconhecer o problema. Outra é agir. Os políticos reconhecem o aquecimento global. No entanto, os efeitos do aquecimento global são a longo prazo: 30, 40 ou 80 anos. Os ciclos políticos têm uma dimensão muito diferente das alterações climáticas. Estamos muito céticos que na cimeira de Paris se chegue a um acordo.

Francisco Ferreira alterações climáticas IPCC
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