Barra Cofina

Correio da Manhã

Cm ao Minuto
7

O PAÍS QUER SER OUVIDO

O secretário-geral do Partido Socialista, Eduardo Ferro Rodrigues, comentou a saída do Primeiro-Ministro para Bruxelas logo após Durão Barroso ter anunciado a sua decisão, esta terça-feira. O dirigente socialista anunciou que irá propor a realização de eleições antecipadas, no mais curto espaço de tempo.
29 de Junho de 2004 às 14:05
Ferro Rodrigues fez a habitual ‘marcação política’ a Durão Barroso, ao reagir quase de imediato às palavras do (ainda) primeiro-ministro. Durante todo o processo de decisão, o PS manteve um quase silêncio, politicamente sensato, alegando sempre estar à espera de decisão do líder do PSD. Eis que ela foi anunciada e eis que Ferro Rodrigues disse de sua justiça.
O dirigente do maior partido da Oposição parlamentar começou desejar as maiores felicidades a Durão Barroso, garantindo total colaboração do PS e manifestando a esperança de que a presença de um português na presidência da Comissão Europeia se traduza em vantagens para Portugal.
Feito o cumprimento, Ferro passou ao ataque. O secretário-geral do PS começou por comentar que a saída do primeiro-ministro para Bruxelas é “uma decisão da exclusiva responsabilidade de Durão Barroso e do PSD”, sublinhando que é uma decisão que reitera a quebra de um compromisso com os portugueses e outros houve que assim não optaram. E referiu o exemplo de António Guterres em 1999 e do primeiro-ministro do Luxemburgo há poucas semanas.
“ABANDONO”
“A relevância da função não impede a óbvia constatação: o abandono do cargo de primeiro-ministro cria uma situação complexa, que é necessário atravessar com serenidade, mas com transparência”, disse Ferro Rodrigues, acrescentando que “urge encontrar uma resposta que devolva confiança aos portugueses”. Considerando que a decisão de Durão acrescentou uma crise política às crises social e económica que o País já vive, Ferro Rodrigues disse que vai propor ao Presidente da República a realização de eleições antecipadas.
A situação exige, no entender de Ferro Rodrigues, uma “clarificação democrática que só o escrutínio popular permite aferir”. O líder socialistas consubstanciou a sua posição referindo que este governo fica sem primeiro-ministro poucas semanas depois de a coligação governamental ter sofrido uma vincada derrota nas Eleições Europeias.
A Comissão Nacional do PS reúne esta noite, para analisar a situação governativa portuguesa. Ferro Rodrigues disse que vai propor à CN – e citamos – “que informemos, em devido tempo, o Presidente da República de que a melhor solução passa pela realização de eleições legislativas antecipadas, no mais curto espaço de tempo compatível com a mobilização dos portugueses para tão importante acto de cidadania”.
De acordo com Ferro, não é a legitimidade constitucional que aqui está em causa, mas a estabilidade política. Nesse sentido, os socialistas consideram que, sem eleições, Portugal terá um num quadro de instabilidade política. A juntar a este argumento, Ferro Rodrigues declarou ter a convicção de que, a avaliar pelos resultados das Europeias, “o País quer ser ouvido” nesta matéria. A opinião do País, segundo Ferro, deve traduzir-se em votos, em consequência dos quais, garantiu, o “PS assumirá todas as suas responsabilidades”.
Paralelamente, a bancada parlamentar do PS solicitou na Assembleia da República o agendamento de um debate de urgência sobre a demissão do primeiro-ministro que, recordamos, ainda não foi apresentada por Durão Barroso ao Presidente da República. O (ainda) primeiro-ministro declarou hoje que o fará em "momento oportuno".
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)