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O QUE FEZ O PR MUDAR DE OPINIÃO? O QUE SE PASSOU DE SEGUNDA PARA TERÇA-FEIRA?

O ainda primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, revelou que o Presidente da República, Jorge Sampaio, mudou de opinião de um dia para o outro, depois de na passada segunda-feira lhe ter garantido por três vezes que não dissolveria a Assembleia da República.
4 de Dezembro de 2004 às 12:45
"A política não pode ter segredos", 'disparou' Santana Lopes, ontem à noite, na tomada de posse da Concelhia do PSD na Póvoa do Varzim. O chefe do Governo garantiu que na reunião que teve com o Presidente da República, na passada segunda-feira, lhe perguntou por três vezes se tencionava dissolver a Assembleia da República e que Jorge Sampaio lhe garantiu que não. "O que se passou de segunda para terça-feira?", questionou Santana Lopes.
Na terça-feira, quando Santana Lopes levava a Jorge Sampaio a solução para substituir um ministro demissionário, o Presidente da República nem a quis ouvir e anunciou que iria iniciar as diligências necessárias para dissolver a Assembleia da República, o que na prática significa acabar com o governo de maioria PSD - CDS/PP. O primeiro-ministro lembrou, por exemplo, que durante os seis anos de governação PS houve "16 remodelações e 50 ministro mudados" e que o governo não foi demitido.
"Não passa pela cabeça de ninguém que a tomada de posse dos secretários de Estado, quatro dias antes, tivesse sido a brincar", acrescentou o primeiro-ministro, colocando o ónus político da situação no Palácio de Belém e avisando que ainda nem sequer contou "metade da história" e que só não avançou com uma moção de confiança à Assembleia da República por respeito institucional. O primeiro-ministro, com uma nítida insinuação política de ataque ao Presidente da República, referiu que a decisão de Jorge Sampaio poderá ter sido precipitada pelo "jantar de aniversário de um qualquer patriarca", numa alusão à festa de aniversário de Mário Soares, dentro de uma semana. Recorde-se que, poucos dias antes da decisão de Sampaio, o ex-Presidente da República tinha dito que era preciso fazer qualquer coisa. "Algumas pessoas pensavam que isto era uma república, mas também é um pouco monarquia e aristocracia. Isso aconteceu-me em Lisboa. Ui, disseram-me, está a meter-te com a família real. Nunca mais serás nada na política", rematou o primeiro-ministro.
Por tudo isto, Pedro Santana Lopes insistiu em como Jorge Sampaio deve apresentar-se aos portugueses e explicar as razões que o levaram a iniciar o processo de dissolução da Assembleia da República. O Presidente da República já deu a entender que só o vai fazer depois de reunir com representantes do partidos com assento parlamentar e com o Conselho de Estado, na próxima semana.
Santana Lopes referiu ainda que a mudança de opinião de Jorge Sampaio pode ter sido influenciado pelas políticas que o seu Governo ía por em prática de ataque a "determinandos interesses instalados, nomeadamente os que promovem a fuga ao fisco e os que temem o fim do sigilo bancário". Atacou também a Comunicação Social, acusando-a de ter feito uma "inventona (termo 'inventdao' por Alberto João Jardim) da liberdade de expressão" e dando o exemplo da Agência Lusa, sobre a qual disse ter publicado as declarações de um autarca algarvio a criticar o primeiro-ministro e recusou publicar a resposta de um dirigente algarvio do PSD.
Quanto à questão da liderança do PSD, Santana Lopes pediu unidade ao partido e abriu a porta à apresentação de candidaturas alternativas no Conselho Nacional que este sábado vai decidir quem será o candidato social-democrata a primeiro-ministro nas legislativas antecipadas a realizar, provavlemente, em Fevereiro próximo. Pelas palavras ontem proferidas na Póvoa do Varzim, percebeu-se que Santana Lopes quer ir á luta eleitoral.
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