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Obesidade pode ter os dias contados

Os cientistas já descobriram como controlar os neurónios que comandam o nosso apetite. As experiências só foram feitas, para já, em animais. Mas resultaram.

01 de outubro de 2013 às 19:23

Está dado o primeiro passo para erradicar a obesidade. Para já, só foram realizadas experiências com animais, mas já se especula se resultaria nos humanos. Um estudo publicado na 'Science', uma das mais prestigiadas revistas científicas, provou que é possível controlar o comportamento alimentar da cobaia preferida dos cientistas, os ratos.

A experiência foi realizada com a ajuda da optogenética, uma área da neurociência que combina a ótica e a genética. Através desta técnica, os neurocientistas conseguiram isolar a contribuição de neurónios específicos, neste caso neurónios de uma zona da amígdala e do hipotálamo lateral, que regulam o comportamento alimentar. Através do controlo da atividade destes neurónios, foi possível alterar o comportamento alimentar dos ratos.

Ao introduzirem sensores de luz em neurónios de uma zona da amígdala dos animais, uma região do cérebro altamente associada às emoções, e iluminando depois as projeções destes neurónios no hipotálamo lateral, relacionado com a sensação de fome, foi possível definir um circuito neuronal de regulação do comportamento alimentar.

NEUROCIENTISTA PORTUGUÊS EXPLICA A IMPORTÂNCIA DESTA DESCOBERTA

No decorrer da experiência, foram constituídos dois grupos de animais. No primeiro, o sensor ativava os neurónios que ligam a amígdala ao hipotálamo lateral, o que fazia com que os ratos tivessem fome. No segundo, os neurónios eram desativados e os ratos recusavam-se a alimentar-se, independentemente da fome que tivessem.

Basicamente, o que a experiência pretende revelar é que o isolamento de neurónios específicos é por si só capaz de alterar o comportamento alimentar dos ratos.

Esta é uma descoberta muito significante. A aplicação desta experiência em humanos erradicaria a obesidade em todo o mundo. Ao CM, Albino Maia, neurocientista e investigador na Fundação Champalimaud, diz acreditar que esse dia está muito longe de chegar.

“É um trabalho fundamental, importante e interessante para compreendermos o funcionamento destes circuitos, mas não estamos nem sequer perto de poder utilizar este tipo de informação para modelar o comportamento alimentar em humanos”, explica.

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