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Obiang critica opositores que não aceitam abertura do Governo

Chefe de Estado referiu que o Governo "está disposto a ajudar [os opositores] a instalarem-se" no país.
Lusa 12 de Julho de 2019 às 09:00
Teodoro Obiang
Teodoro Obiang
Teodoro Obiang Nguema
Teodoro Obiang
Teodoro Obiang
Teodoro Obiang Nguema
Teodoro Obiang
Teodoro Obiang
Teodoro Obiang Nguema

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, criticou esta sexta-feira os opositores que recusaram participar na mesa de diálogo com o Governo, acusando-os de preferirem os "benefícios pessoais" de estarem exilados e afastado do país.

No último ano, o Governo equato-guineense, acusado por várias organizações internacionais de sistemáticas violações dos direitos humanos, promoveu uma mesa de diálogo com os opositores, decretou um indulto para presos políticos e amnistia geral para permitir o regresso dos exilados.

"A mesa de diálogo visa estender a mão [aos opositores] para que venham ao país. Ora, se eu estendo a mão para que me cumprimentes e se não me querem cumprimentar, o que vou fazer?", disse Obiang, em entrevista à Lusa em Malabo.

Os principais opositores não subscreveram os acordos, algo que Teodoro Obiang minimiza: "Alguns preferem ficar fora. Nós convidámos [todos] e muitos assinaram as atas do diálogo, mas depois voltaram para a Europa. É porque têm alguns benefícios lá".

O chefe de Estado referiu que o Governo "está disposto a ajudar [os opositores] a instalarem-se" no país, ressalvando: "Estendemos a mão mas não responderam, não é culpa nossa".

Os resultados oficiais da sexta mesa de diálogo não foram ainda auditados por entidades independentes, mas Obiang salientou que o Governo fez a sua parte na abertura à oposição.

"Estamos a trabalhar para consolidar a democracia da Guiné Equatorial", afirmou à Lusa, sublinhando que este é um processo que "leva muitos anos" porque a "democracia não é uma coisa repentina".

"Há que continuar a cultivar a democracia para convencer o povo de que estamos a trabalhar em prol do bom desenvolvimento democrático do país", explicou.

Obiang afirmou que "o diálogo depende da assinatura dos participantes, não é uma questão de ter resultados", escusando-se a fazer um balanço dos trabalhos.

Desde a independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial teve apenas dois Presidentes. Obiang governa o país desde 1979 e o seu regime tem sido classificado como ditadura por vários relatórios de organizações não-governamentais que nem a abertura democrática, no início do século XX, mudou.

O atual partido governamental, o Partido Democrático da Guiné Equatorial, possui todos os assentos no parlamento.

A maior parte dos exilados políticos do país, divididos por vários movimentos de oposição, está em Espanha e em França.

A Guiné Equatorial, o único país africano que tem o espanhol como língua mais falada, integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014, juntando-se a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Teodoro Obiang concedeu entrevistas à Agência Lusa e ao jornal francês L'Opinion, depois da cerimónia de entrada do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE, no poder), como observador, na Internacional Democrática do Centro África (IDC, que representa partidos de centro-direita).

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