Barra Cofina

Correio da Manhã

Cm ao Minuto
6

Portugal é hoje "mais arriscado" do que Espanha ou Itália

Economista Borges Assunção considera que Governo "não está preocupado com a questão da credibilidade internacional".
28 de Outubro de 2016 às 05:00
Borges Assunção aponta críticas às prioridades do Governo de António Costa
Borges Assunção aponta críticas às prioridades do Governo de António Costa FOTO: Lusa

O economista Borges Assunção considera que, para os mercados, Portugal é hoje "mais arriscado" do que Espanha e Itália e que o Governo, ao definir como prioridade uma política redistributiva, "não está preocupado com a questão da credibilidade internacional".

"As Obrigações do Tesouro portuguesas mantêm uma diferença de taxas de juro, por exemplo, com Itália ou Espanha que é uma diferença muito grande e essa diferença já foi pequena. Há cerca de um ano era inferior a 1%", recordou o professor da Universidade Católica Portuguesa em entrevista à Lusa.

Para Borges Assunção, isto significa que, "objetivamente, na perspetiva dos mercados financeiros, hoje Portugal é mais arriscado relativamente a Itália e a Espanha [quando] avaliados pelos mercados financeiros e não pelas agências de 'rating'".

Reconhecendo que os custos de financiamento de Portugal são hoje "muito melhores do que em 2011, indiscutivelmente", o responsável do Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) afirma que "já não se pode dizer que, nessa perspetiva do mercado da dívida, Portugal esteja melhor do que no início de 2014 e muito menos do que em outubro de 2015".

Na quinta-feira, os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos estavam nos 3,2%, ao passo que os juros da dívida italiana da mesma maturidade estavam nos 1,472% e os da espanhola nos 1,153%, segundo a agência de informação financeira Bloomberg.

Questionado sobre as causas subjacentes a esta deterioração das taxas de juro portuguesas por comparação às de Itália e Espanha, João Borges Assunção admite que "as causas rapidamente ficam políticas", mas acredita que o sistema financeiro terá contribuído para esta evolução.

"Pode haver pessoas que dizem que o problema é o Governo e a sua política e isso é uma explicação possível. Mas o problema pode ser o sistema financeiro e, não ser necessariamente o Governo, mas a informação que tem surgido sugere que o sistema financeiro hoje é mais vulnerável", argumentou.

Segundo Borges Assunção, o facto de Portugal se financiar nos mercados de dívida a um custo mais elevado do que os países europeus comparáveis "é um sinal do mercado para o Governo ajustar o défice mais depressa".

"Se o Governo ligasse à informação do mercado, usava essa informação para dizer que temos de ser mais rápidos a atingir os objetivos de política orçamental", argumentou.

O académico entende que seria preciso "mais prudência" porque isso "daria confiança aos investidores e aos mercados na dívida portuguesa" e defendeu que "isso está nas mãos do Governo".

No entanto, concluiu que, "se o Governo escolhe redistribuir, na prática, está a dizer que isto não é uma prioridade", ou seja, "não está preocupado com a questão da credibilidade internacional de Portugal nos mercados de dívida" e está "preocupado com a sua reputação junto da população portuguesa".

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)