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Países do sul da Europa acordam cooperar para Europa "forte e unida"

Próximo encontro ficou agendado para o mês de abril, em Espanha.
Lusa 28 de Janeiro de 2017 às 17:54
Os chefes de Estado e de Governo de Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Chipre e Malta reuniram-se em Lisboa
Os chefes de Estado e de Governo de Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Chipre e Malta reuniram-se em Lisboa FOTO: Bruno Colaço / Correio da Manhã

Sete países do sul da Europa, incluindo Portugal, concordaram este sábado na necessidade de cooperarem para alcançar uma União Europeia "forte e unida", capaz de devolver a esperança aos cidadãos e combater populismos, num momento de instabilidade.

Os chefes de Estado e de Governo de Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Chipre e Malta reuniram-se hoje em Lisboa, pela segunda vez, e transmitiram uma mensagem de união e de confiança no futuro da União Europeia (UE), que querem levar às próximas cimeiras europeias, em La Valletta (03 de fevereiro) e em Roma (25 de março).

"Confirmamos o nosso objetivo de aumentar a nossa cooperação e de contribuir para uma União Europeia forte e unida", lê-se na Declaração de Lisboa, divulgada no final da cimeira, que reuniu os Presidentes de França, François Hollande, e de Chipre, Nikos Anastasiades, e dos primeiros-ministros português, António Costa; espanhol, Mariano Rajoy; italiano, Paolo Gentiloni; grego, Alexis Tsipras, e maltês, Joseph Muscat.

"Acreditamos que, num mundo confrontado com incertezas e instabilidade crescentes, seremos mais fortes agindo juntos. Enfraquecer a Europa não é uma opção", consideram.

A UE deve defender os seus valores de "liberdade, democracia, Estado de Direito e respeito e proteção de todos os direitos humanos" e responder a "desafios comuns que os Estados-membros estão a enfrentar", apresentando "respostas para as preocupações reais" dos cidadãos, afirmam.

Respostas que passam pelo "emprego, crescimento económico e coesão social, proteção às ameaças do terrorismo e incerteza, um futuro melhor para as gerações mais jovens, através da educação e de empregos, e um papel central da cultura e educação nas sociedades", refere a posição comum.

No final, o chefe do Governo português, António Costa, defendeu a necessidade de a Europa defender "a democracia, as quatro liberdades, o comércio livre a nível mundial", mas também a importância de dar "respostas concretas que reforcem a confiança dos cidadãos".

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, destacou, por sua vez, que a Europa "continua a ser a região do mundo com maior nível de democracia, liberdade e direitos humanos" e "com maior nível de bem-estar e progresso".

"É a primeira potência comercial, a primeira potência económica do mundo. É um sítio para onde todos querem vir e de onde ninguém, com exceção de um único caso, quer sair", disse, aludindo ao Reino Unido, que em março deverá iniciar o processo de saída da UE ('Brexit').

Também após o encontro, o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, registou a "convergência muito importante" entre os países do sul da União Europeia, que representam cerca de 40% do bloco europeu.

"Há uma mensagem de esperança: não é necessário que 2017 seja um ano de crise para a União Europeia, ou um ano de adiamentos, em que há um compasso de espera. O mundo não espera por nós, há crises e as crises não podem esperar", disse o governante italiano.

Os sete países têm "um empenho fortíssimo" para participar nas próximas reuniões e para "elaborar o roteiro da esperança, da confiança e da perspetiva de paz e do futuro da Europa", afirmou.

O primeiro-ministro grego também destacou a concordância de opiniões: "O acordo e o entendimento entre os países do sul da Europa tardou, mas está presente", disse, avisando que esta região "não é nem pode ser o parente pobre" da Europa.

"Chegámos a um acordo relativamente à necessidade de reforçarmos esforços para que a União Europeia volte a ser, como ideia e como visão, algo que inspire os povos europeus. As palavras não chegam, são precisos atos para termos uma melhor Europa no futuro", referiu Alexis Tsipras.

No mesmo sentido, o Presidente cipriota destacou a necessidade de "concretizar as declarações que já foram feitas para que a Europa reconquiste a confiança das pessoas",

"Se o populismo ganha espaço, é porque muitas vezes ficamos apenas pelas declarações", alertou Anastasiades.

Já o Presidente francês, François Hollande, sublinhou que a Declaração de Roma, que assinalará em março os 60 anos da assinatura dos tratados fundadores do bloco europeu, deve definir as prioridades da "Europa de amanhã, uma Europa segura, protetora, que seja capaz de garantir, no âmbito da Aliança Atlântica, a sua própria defesa, mas também uma Europa mais próspera e mais preocupada com o progresso para todos".

O próximo encontro dos sete líderes do sul da União Europeia ficou agendado para o mês de abril, em Madrid, Espanha.

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