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Correio da Manhã

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Palestinianos e israelitas retomaram hoje contactos sem mediação norte-americana

As duas equipas de negociação tinham-se encontrado, pela última vez, na passada quinta-feira, com o representante dos Estados Unidos, que entretanto partiu para Washington, para consultas.
13 de Abril de 2014 às 23:49

Palestinianos e israelitas retomaram hoje contactos sem mediação norte-americana, num novo esforço para salvar do colapso o processo de paz iniciado no verão passado, sob os auspícios de Washington.

Segundo meios de comunicação locais, citados pela agência espanhola EFE e pela France Presse, na reunião participaram o chefe da delegação palestiniana, Saeb Erekat, acompanhado pelo responsável pelos serviços de informação da Autoridade Palestiniana, Mayid Faraj, e a ministra israelita da Justiça, Tzipi Livni, com Isaac Molho, enviado especial do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O encontro, que não contou com Martin Indyk, representante especial de Washington, realizou-se sob clima de alta tensão que existe em Israel, desde que a ala mais à direita do Governo de Netanyahu se declarou contrária a qualquer acordo que preveja a libertação de prisioneiros palestinianos.


Tanto o ultra direitista ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Avigdor Lieberman, como o titular das Finanças, o ultranacionalista Naftalí Bennett, se opõem à libertação de 104 presos, com que Israel se comprometeu no contexto da nova ronda de negociações, iniciada em 2013.


Bennett ameaçou mesmo abandonar a coligação e causar a queda do governo, recorda a EFE, passado menos de um ano das últimas eleições.


Numa entrevista publicada este domingo no diário "Yediot Aharonot", a própria ministra da Justiça acusou o líder ultranacionalista, que propõe a anexação da Cisjordânia, de trabalhar contra a paz.

O objetivo agora é conseguir alargar o prazo de conversações além de 29 de abril, data limite inicialmente estabelecida, mas a tarefa apresenta-se difícil.

Na passada quinta-feira, Israel congelou a transferência de receitas resultantes de impostos para os palestinianos, no quadro de um conjunto de novas sanções e represálias à Autoridade Palestiniana, por esta ter pedido a adesão a 15 tratados internacionais.

Israel também suspendeu a participação no desenvolvimento de um campo de gás ao largo da Faixa de Gaza, adjacente a um campo israelita, projeto prometido há vários anos por Tony Blair, o enviado especial do Quarteto para o Médio Oriente (ONU, Estados Unidos, União Europeia e Rússia).

O Estado hebraico anunciou igualmente passar a escalonar os depósitos bancários palestinianos em instituições financeiras, em resposta a alegadas "graves violações de acordos".

As sanções israelitas foram conhecidas depois de as Nações Unidas terem anunciado, na quinta-feira, que o pedido de adesão da Palestina a tratados ou convenções internacionais, de que a ONU é depositária, estavam em conformidade com o determinado.

Israel e Palestina aumentaram a hostilidade desde que Israel se recusou a libertar, a 29 de março, como previsto, um quarto e último contingente de prisioneiros, reclamando o prolongamento das negociações de paz para depois de 29 de abril.

O Presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, respondeu com o pedido de adesão a 15 convenções e tratados internacionais, no passado dia 01 de abril.

Segundo o acordo concluído em julho de 2013, sob a égide dos Estados Unidos, Israel comprometeu-se a libertar 104 prisioneiros encarcerados desde 1993, no âmbito das negociações.

Em contrapartida, a liderança palestiniana concordara em suspender as negociações de todo o processo de adesão a organizações internacionais, incluindo o recurso a tribunais de competência mundial suscetíveis de condenarem Israel.

Na passada quinta-feira, Israel disse igualmente que se iria "manter nas negociações sob os auspícios dos Estados Unidos".

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