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PAN quer mais ação contra alterações climáticas e Verdes mais e melhores transportes públicos

André Silva perguntou ao Governo o que está a fazer para adaptar o país aos efeitos das alterações climáticas.
Lusa 4 de Dezembro de 2019 às 19:23
André Silva
André Silva FOTO: Duarte Roriz/Correio da Manhã
O PAN acusou esta quarta-feirao Governo de "nada" ter feito para defender Portugal das alterações climáticas exceto planos e estratégias, enquanto os Verdes pediram mais e melhores transportes públicos.

Numa declaração política na Assembleia da República, o deputado do PAN André Silva perguntou ao Governo o que está a fazer para adaptar ao país aos efeitos das alterações climáticas, salientando que Portugal "será um dos países que mais sofrerá" os seus efeitos.

"Planos, estratégias de estratégias, enfim, nada, senhores deputados! Nada é o que temos para defender os cidadãos da maior ameaça da história da humanidade!", respondeu André Silva à sua própria pergunta.

O deputado recordou que o PAN entregou na passada sexta-feira um projeto de Lei de Bases do Clima, que estipula que sejam entregues ao parlamento, em 2021, "planos setoriais do ordenamento do território, dos recursos hídricos, das florestas, da agricultura, da proteção civil e da saúde".

"Aprovado o projeto de Lei de Bases do Clima proposto pelo PAN, a partir de 2022 será possível finalmente agir e defender Portugal dos terríveis impactos das alterações climáticas", defendeu, apelando ao apoio de todas as bancadas.

A preocupação foi partilhada pelas várias bancadas, com o deputado do BE Nelson Peralta a questionar André Silva se era a favor ou contra "o novo mercado global de carbono, em que os mais ricos podem comprar emissões", com o deputado do PAN a declarar-se frontalmente contra.

Em resposta à deputada do PS Joana Lima, que insistiu que Portugal foi o primeiro país a colocar como objetivo a neutralidade carbónica em 2050, André Silva considerou que o Governo tem dado sinais contraditórios como a aprovação do aeroporto do Montijo ou a aposta em agricultura e pecuária intensiva.

Numa outra declaração política sobre mobilidade e transportes públicos, o deputado do Partido Ecologista "Os Verdes" José Luís Ferreira sublinhou que esta força política tem vindo a defender "desde o século passado" iniciativas de combate às alterações climáticas.

"Percebemos hoje a importância desse esforço, não só porque as pessoas estão sensibilizadas para a ameaça que as alterações climáticas assumem, como também, porque finalmente chegou o Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos (PART)", considerou.

No entanto, o deputado dos Verdes alertou que a oferta de transportes públicos fora das Áreas Metropolitanas "é muito reduzida", nem houve investimento suficiente do lado da oferta.

"O que os Verdes defendem é que não podemos perder o comboio que arrancou com o PART. E para isso é necessário não só alargar o sistema a todo o território, mas também um forte investimento do lado da oferta", apelou.

Nos pedidos de esclarecimento, o deputado do PSD Carlos Silva aproveitou para denunciar o que diz ser "a propaganda socialista de que o PSD é contra esta medida" de redução do preço dos passes sociais.

"É mentira, o PSD é favorável a esta medida", afirmou, apontando, contudo, que o partido considera "inaceitável" que existam regiões sem acesso a este benefício que a oferta seja insuficiente, dizendo que na hora de ponta "é impensável andar de transportes públicos" nas grandes cidades.

Carlos Silva acusou o Governo de ter construído "a casa pelo telhado" e promovido uma política "low cost" de redução tarifária.

As bancadas do PS e PCP lembraram que o PSD votou contra a medida quando esta foi apresentada, com o deputado ecologista José Luís Ferreira a deixar uma ironia.

"Acho que já é tarde para apanhar este comboio, mas pode ser que ainda consiga", afirmou.

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