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Passos interveio para evitar ruptura com o BIC

O presidente do banco BIC Portugal, Mira Amaral, afirmou esta sexta-feira que só foi possível acordar a compra do BPN após duas intervenções directas do primeiro-ministro nas negociações, ambas em Novembro passado, para evitar a liquidação.
13 de Julho de 2012 às 15:58
Presidente do banco BIC Portugal, Mira Amaral
Presidente do banco BIC Portugal, Mira Amaral FOTO: Tiago Sousa Dias

Mira Amaral falava na comissão parlamentar de inquérito sobre a nacionalização e reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN), em que contou em detalhe todos os passos dado pelo banco BIC Portugal desde que foi convidado em Abril de 2011 a estudar uma proposta de compra directa do banco nacionalizado.

Perante os deputados da comissão de inquérito, Mira Amaral disse que o actual Governo, em Setembro passado, por sugestão de um gabinete de advogados, alterou as condições de compra acordadas dois meses antes (em Julho), o que fez com que a 21 de Novembro, ele Mira Amaral tenha decidido "fechar a loja" – atitude de ruptura que seria depois confirmada pelo próprio presidente do banco BIC, Fernando Teles.

Nesse dia, segundo contou Mira Amaral, a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, pediu-lhe a ele e a Fernando Teles "completo sigilo", tendo em vista preparar a comunicação de ruptura das negociações com o banco BIC e, consequentemente, a liquidação do BPN, com 1700 trabalhadores.

A 23 de Novembro, porém, o primeiro-ministro telefonou a Mira Amaral para o convidar para uma primeira reunião em São Bento, da qual não saiu qualquer acordo.

Entre outros pontos de divergência, estava em causa a recusa do Governo em aceitar que os 1700 trabalhadores do BPN, que tinham um contrato colectivo, passassem ao regime laboral de acordo de empresa do banco BIC.



A 28 de Novembro, numa segunda e última reunião com Pedro Passos Coelho - já com a presença do presidente do banco BIC, Fernando Teles, que veio de Angola de propósito, e do ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar – já houve acordo.

"Fui eu que indiquei a via possível para resolver a questão dos trabalhadores, usando a minha experiência como antigo ministro do Trabalho. Os sindicatos compreenderam o que estava em causa e aceitaram pacificamente a mudança [para as normas do acordo de empresa do BIC]", disse Mira Amaral.

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