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Jerónimo recusa ser "domesticado"

Líder comunista avisa que redução dos impostos e direitos do trabalho são prioridades.
2 de Dezembro de 2016 às 11:53
Jerónimo de Sousa no Congresso
Jerónimo de Sousa no Congresso FOTO: Lusa

O secretário-geral do PCP rejeitou hoje que o partido esteja "domesticado", mas antes aberto a "tomar e assumir compromissos" contra a "política de direita", protagonizada por PSD/CDS e também PS.

"Podem repetir até à exaustão a historieta do PCP domesticado que não nos impressionam. Como não impressionaram ninguém quando há meses, perante a perspetiva de uma solução que condenava o seu Governo à derrota, diziam exatamente o contrário, e levantavam, agitados, o espantalho do assalto ao poder pelo PCP e do regresso do PREC, com o PS a reboque", afirmou Jerónimo de Sousa, no primeiro de três dias do XX Congresso Nacional dos comunistas, em Almada.

O líder comunista declarou que o problema do seu partido "não está, nem nunca esteve, em tomar e assumir compromissos", pois "esse é problema que há muito está resolvido entre aqueles que estão na luta pela transformação social".

"Mas sim o de saber que compromissos? Compromissos para traficar princípios? Não fazemos! Desiludam-se também aqueles que esperam ver um PCP resignado à inevitabilidade da política de direita", assegurou, no Complexo Municipal dos Desportos "Cidade de Almada".

Num discurso de mais de hora e meia, Jerónimo de Sousa recusou ainda o "argumentário fraudulento que é a pureza ideológica do PCP que está hipotecada nesta nova fase da vida política nacional", valorizando os "avanços" conseguidos, apesar das "limitações" do Governo do PS.

"Isto é dito pelos mesmos que andam há anos cinicamente a diabolizar e estigmatizar o PCP, caracterizando-o como um partido fechado no seu gueto e incapaz de fazer e tomar um compromisso. Como nós os entendemos e como lhes dói a coerência e a eficácia da intervenção e da luta do PCP", congratulou-se.

Para o secretário-geral comunista não há "ilusões" - "a vida dos trabalhadores e do povo avança com a sua luta e se o PCP for cada vez mais forte!".

"Podem os setores da direita mais retrógrada e reacionária, visivelmente desorientados com a sua crescente perda de influência e perante os avanços na reposição de rendimentos e direitos, vir expelir doses de veneno contra o PCP. Isso só confirma a justeza do rumo que traçamos para servir os interesses dos trabalhadores e do povo", garantiu.

O líder do PCP disse que o partido vai continuar a intervir, "com consciência plena das contradições e exigências da nova fase da vida política nacional (...), determinado pelos seus compromissos com os trabalhadores e o povo e pela avaliação que a cada momento faz do conteúdo da política prosseguida".

"A questão fundamental que se coloca não é apenas a de evitar que PSD ou CDS regressem ao poder, mas sim impedir que a sua política, que o povo inequivocamente condenou nas eleições de outubro, seja desenvolvida por estes partidos ou pelo PS, e criar as condições para a concretização da política patriótica e de esquerda", disse.

Líder comunista avisa que redução dos impostos e direitos do trabalho são prioridades
O secretário-geral do PCP definiu hoje oito áreas de intervenção prioritárias no atual quadro político, entre as quais constam a redução da carga fiscal dos trabalhadores, a valorização dos direitos no trabalho e dos serviços públicos.

Os "oito aspetos prioritários" de intervenção política comunistas foram apresentados por Jerónimo de Sousa no seu discurso de abertura do XX Congresso, que decorre em Almada.

"Defesa de uma política de justiça fiscal que alivie a carga fiscal sobre os rendimentos dos trabalhadores e do povo e rompa com o escandaloso favorecimento do grande capital", apontou o secretário-geral do PCP, numa alusão ao tema da reforma fiscal, cuja mudança o atual Governo socialista remeteu para 2017, com incidência no ano fiscal de 2018.

Na parte do chamado Estado social, Jerónimo de Sousa disse que o PCP vai exigir "uma administração e serviços públicos ao serviço do povo e do país, valorizando o Serviço Nacional de Saúde como serviço geral, universal e gratuito, uma escola pública gratuita e de qualidade e um sistema de Segurança Social público e universal e a cultura".

A "valorização do trabalho e dos trabalhadores, assente no aumento dos salários, no pleno emprego, na defesa do trabalho com direitos, no combate ao desemprego e à precariedade, com maiores reformas e pensões" e, por outro lado, a "defesa e promoção da produção nacional e dos setores produtivos (...), que coloque os recursos nacionais ao serviço do povo e do país e reduza os défices estruturais", foram outros dois objetivos enunciados pelo secretário-geral do PCP.

Entre as oito áreas prioritárias do PCP, Jerónimo de Sousa colocou pontos em que se verificam divergências profundas com o executivo socialista, como a intenção dos comunistas de "libertar" Portugal da "submissão ao euro e das imposições e constrangimentos da União Europeia", a par com a "renegociação da dívida pública, nos seus prazos, juros e montantes", tendo em vista garantir "um serviço da dívida compatível com as necessidades de investimento público, desenvolvimento e criação de emprego".

Jerónimo de Sousa apontou ainda como metas a luta pelo controlo público da banca e a recuperação para o setor público dos setores básicos estratégicos da economia".

No plano político-institucional, o líder comunista definiu como preocupação central do PCP a "defesa do regime democrático e do cumprimento da Constituição da República Portuguesa, o aprofundamento dos direitos, liberdades e garantias, o combate à corrupção e concretização de uma justiça independente e acessível a todos".

"Hoje estará mais claro aos olhos dos trabalhadores e do povo que não é só necessário mas possível criar as condições para afirmar a alternativa", sustentou o secretário-geral do PCP, numa referência ao quadro de relações do seu partido face ao Governo minoritário do PS.

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