Christine Blasey Ford depôs no Senado contra o juiz indicado para o Supremo. Este nega todas as acusações.
O juiz Brett Kavanaugh, nomeado por Trump para o Supremo Tribunal dos EUA, está a ser interrogado esta quinta-feira no Comité do Senado. Christine Blasey Ford, a mulher que o acusa de a ter atacado numa festa quando ambos eram adolescentes, há 35 anos, reafirmou ao Senado que foi vítima de uma tentativa de agressão sexual pelo juiz.
O juiz já se pronunciou sobre esta e as outras acusações de crimes sexuais de que é alvo. Diz que são tudo mentiras e acusa: "Estão a destruir a minha família e o meu bom nome".
Num depoimento que o levou às lágrimas, o juiz jurou a sua inocência: "Nunca abusei sexualmente ninguém. Nem no secundário, nem na faculdade, nunca. A agressão sexual é uma coisa horrível", afirmou."Ninguém me fará retirar do processo", disse Kavanaugh, conservador, 53 anos, que está a ser ouvido na Comissão Judicial do Senado.
Democratas e republicanos trocam acusações
A líder democrata do Comité, Dianne Feinstein, foi acusada pelo senador republicano Grassley de ter instrumentalizado o processo ao atrasar a divulgação da acusação, já que Feinstein sabia destas acusações há vários meses. Segundo Grassley, a denúncia só foi divulgada agora para prejudicar a nomeação do juiz e as eleições que se aproximam.
Feinstein explicou ao Senado que queria preservar o anonimato de Ford, como a própria lhe pediu, e cumprimentou-a, dizendo que é importante dá-la a conhecer às pessoas. Ford começou a testemunhar, dizendo que eera o seu "dever cívico" testemunhar perante todo o país.
Psicóloga testemunha contra o juiz
Christine Blasey Ford recordou como, enquanto adolescente, frequentava um círculo social onde estavam incluídos vários rapazes da escola Georgetown Prep, incluindo Brett Kavanaugh, Mark Judge e um rapaz a quem chamavam "PJ", que têm sido apontados como amigos chegados do juiz nomeado para o Supremo Tribunal.
Ford contou depois a história que foi relatada em primeiro lugar pelo jornal norte-americano The Washington Post: estava na festa, foi até ao segundo andar da casa para ir à casa de banho e foi empurrada para um quarto onde estavam Kavanaugh e Judge. "Brett pôs-se em cima de mim. Começou a passar as suas mãos pelo meu corpo e a esfregar-se contra mim", contou. "Ele teve dificuldades em tirar-me a roupa porque estava visivelmente embriagado e porque eu tinha um fato de banho vestido por baixo da roupa."
Ford explicou depois que Kavanaugh lhe terá tapado a boca para impedir que gritasse. "Foi o que mais me aterrorizou", diz. "Pensei que ele me ia violar."
Esta situação terá sido evitada por Mark Judge ter saltado para cima dos dois, o que permitiu que Ford se soltasse e fugisse.
O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou vários tweets em defesa de Brett Kavanaugh, duvidando inclusivamente da acusação de Ford, mas esta quarta-feira afirmou estar disposto a "mudar de ideias" sobre a inocência do juiz se for convencido pelo testemunho de Ford. Mas na mesma conferência também voltou a sublinhar as excelentes características do seu candidato: "É um génio tremendo. Tem um grande intelecto", disse o 45º presidente estado-unidense.
, juiz escolhido por
Brett Kavanaugh, juiz escolhido por Trump para o Supremo Tribunal, foi esta quarta-feira acusado de práticas sexuais impróprias, por uma terceira vez. Julie Swetnick acusa Kavanaugh de ter feito parte de um grupo de rapazes que - enquanto frequentavam o secundário - embebedava raparigas de forma propositada para depois as violar em grupo.
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