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Correio da Manhã

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Preparação da seleção nacional com erros compromete campanha

Médico Domingos Gomes defende que Portugal devia ter escolhido um local de estágio mais quente e húmido.
18 de Junho de 2014 às 08:19
O regresso a Campinas após a goleada aconteceu de forma tranquila, com apenas 13 adeptos à espera do autocarro
O regresso a Campinas após a goleada aconteceu de forma tranquila, com apenas 13 adeptos à espera do autocarro FOTO: Bruno Colaço, enviado especial Brasil

A seleção portuguesa tem treinado em condições climatéricas diferentes das que se verificaram na pesada derrota (0-4) frente à Alemanha, em Salvador, o que ajuda a explicar o desaire e a quebra de rendimento de alguns jogadores. Um problema que voltará a colocar-se nos próximos confrontos (EUA e Gana).

"A Seleção treinou num clima menos quente e com menos humidade do que em Salvador, e isso notava-se nitidamente na cara dos jogadores. Cristiano Ronaldo, o mais focado pelas câmaras, tinha os olhos encovados, o que é um sinal de desidratação", disse ao CM o médico Domingos Gomes.

Para o ex-clínico do FC Porto, mais importante do que a temperatura é a humidade. "A escolha da hora [13h00 locais] é inexplicável. O clima em Salvador faz perder muitos líquidos e, a partir de determinada altura, começa a diminuição das capacidades físicas", explicou, frisando não ter dúvidas de que os alemães abordaram de melhor forma o pré-jogo. "Chegaram ao Brasil com duas semanas de antecedência e escolheram um local (Cabrália) com um clima semelhante ao de Salvador. É fundamental estar o mais perto possível do sítio onde se vai competir, o que permite uma habituação mais rápida", salientou. "Portugal vai ainda jogar em Manaus, pelo que era mais lógico escolher um local de estágio mais quente e húmido", acrescentou o médico.

A preparação começou com chuva em Óbidos e passou para temperaturas mais amenas em New Jersey (EUA). Em Campinas, Portugal tem treinado a partir das 10h00, quando o termómetro regista 19/20 graus e a humidade ronda os 50%. Em Salvador, está próxima dos 80% e a temperatura é de 26 graus. Mas o pior ainda está para vir. Em Manaus, frente aos EUA, o termómetro vai superar os 30 graus, com uma humidade a rondar os 84%.

Patrício e Hugo Almeida falham EUA e Gana

O avançado Hugo Almeida - com queixas no músculo bíceps femoral (região posterior da coxa direita) - e o guarda-redes Rui Patrício, lesionado no músculo reto anterior da coxa esquerda, vão continuar no Brasil, mas falham os jogos da fase de grupos com EUA e Gana. Já Fábio Coentrão, com uma lesão do grupo II do músculo longo do adutor da coxa direita, vai regressar hoje a Lisboa.

O boletim clínico da FPF revela que Hugo Almeida e Rui Patrício ainda podem ser "recuperados durante a competição". Contudo, a utilização dos dois jogadores só deverá acontecer se Portugal passar aos ‘oitavos'.

Situação mais grave é a do lateral-esquerdo do Real Madrid, que hoje abandona a concentração da Seleção rumo a Lisboa para iniciar a recuperação. "É um momento de muita tristeza", disse Coentrão, formulando um desejo: "Espero esquecer este momento."

O lateral-esquerdo, que se lesionou sozinho, deixa uma mensagem de apoio: "Temos de encarar o jogo de domingo [EUA, em Manaus] como se fosse o último das nossas vidas. Temos de ganhar para dar uma alegria a todos os portugueses."

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