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Presidente do Instituto Português do Sangue demite-se por "razões pessoais"

Hélder Trindade nega que demissão se deva a orientação sobre dádivas por homossexuais.
22 de Setembro de 2016 às 08:26
O presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, Hélder Trindade
O presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, Hélder Trindade FOTO: Inês Gomes Lourenço / Correio da Manhã
O presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, Hélder Trindade, pediu a demissão ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, alegando "razões pessoais", noticiam esta quinta-feira vários órgãos de comunicação social.

A demissão do especialista em transplantação, que estava no cargo desde 2011, foi confirmada hoje à agência Lusa pelo Ministério da Saúde. A mesma fonte disse que Helder Trindade invocou "motivos pessoais".

O pedido de demissão ocorre poucos dias depois de a Direção-Geral da Saúde (DGS) ter divulgado uma norma de orientação clínica no sentido de permitir a dádiva de sangue por parte de homossexuais e bissexuais, embora condicionada a um período de abstinência de um ano.

Estas novas regras vêm pôr fim à proibição total de homens que fazem sexo com homens (HSH) - homossexuais e bissexuais - poderem dar sangue, passando aquilo que é hoje considerado como "critério de suspensão definitiva" para "critério de suspensão temporária".

Na prática, os HSH passam a poder ser dadores de sangue, estando sujeitos à aplicação de um período de suspensão temporária de 12 meses após o último contacto sexual, com avaliação analítica posterior.

A norma, publicada na página da DGS na segunda-feira, vem também estabelecer um período de suspensão de 12 meses após o último contacto sexual para pessoas que tenham tido parceiros portadores de infeção por VIH, hepatite B e hepatite C.

Hélder Trindade já tinha sido contestado pelo Bloco de Esquerda em 2015, por este ter afirmado que só admitia dadores homossexuais que fossem abstinentes.

Presidente do IPST nega que demissão se deva a orientação sobre dádivas por homossexuais

O presidente do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST) negou hoje que o seu pedido de demissão se deva à orientação para a dádiva de sangue por homossexuais masculinos, alegando razões "pessoais e familiares" para a sua saída.

"Apresentei razões pessoais e familiares para pedir a minha substituição no cargo, e aguardo, conforme acordado com o senhor Ministro da Saúde, que este considere o momento oportuno para a minha substituição", afirmou em comunicado Helder Trindade.

Com este esclarecimento, o presidente demissionário do IPST pretende "evitar conexões abusivas e ofensivas sobre um ato" do seu exclusivo foro pessoal.

Segundo Helder Trindade, o seu pedido de demissão "ocorreu algum tempo antes da autorização da DGS para a dádiva de sangue por homossexuais masculinos, pelo que nada tem a ver com essa matéria".

"Repudia-se por isso qualquer associação entre a demissão e o referido documento da Direção Geral da Saúde (DGS), por ser mentira e por ser, no limite, desajustado", adiantou.

Para Helder Trindade, essa nunca seria uma razão para terminar a sua missão no IPST.

"Sou um médico que pertence ao mapa de pessoal da instituição e, como presidente do IPST, todo o trabalho que desenvolvi durante o meu mandato foi no sentido de pugnar pelo melhor cumprimento da missão do IPST", adiantou.

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