Presidente do Paraguai afastado em processo-relâmpago

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, cujo mandato só terminaria em Agosto do ano que vem, foi afastado do cargo pelo Senado do seu país na noite desta sexta-feira por alegado mau desempenho.
22.06.12
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Presidente do Paraguai afastado em processo-relâmpago
Fernando Lugo será agora substituído pelo vice-presidente Federico Franco Foto Jorge Adorno/Reuters

O afastamento do chefe de Estado daquele país sul-americano ocorreu através de um processo verdadeiramente meteórico, o que levou vários países da região a acusarem o parlamento do Paraguai de golpe de estado disfarçado e provocou tumultos na capital paraguaia, Assunção.

 Na verdade, o processo todo demorou apenas 24 horas. Quinta-feira, a Câmara dos Deputados deu o primeiro passo, aprovando quase por unanimidade, 76 a 1, a abertura do processo de afastamento, que já foi julgado e concluído pelo Senado nesta sexta-feira.

  Fernando Lugo foi forçado a defender-se às pressas, ainda nesta sexta, poucas horas depois da abertura do processo, e o parlamento deu-lhe apenas duas horas para apresentar a defesa, pelo que o chefe de Estado optou por não comparecer, enviando apenas os seus advogados. Antes da aprovação do impeachment, Lugo já tinha afirmado que se submeteria à decisão do parlamento, mas que iria resistir através de outras instâncias democráticas, numa aparente alusão aos tribunais.

  O vice-presidente do país, Federico Franco, foi empossado como novo presidente logo após a aprovação do impeachment e vai governar o Paraguai até às presidenciais do próximo ano. Ele era aliado de Lugo, mas mudou de lado e a sua actuação foi decisiva para o afastamento do ex-chefe de Estado.

  Assim que a aprovação do afastamento de Lugo foi conhecida, a multidão que estava em frente ao parlamento, entre ela muitos trabalhadores que convergiram para Assunção convocados em todo o país por organizações sociais favoráveis a Lugo, começou a gritar “Dissolução!, Dissolução”, referindo-se ao legislativo. A polícia, que cercava o edifício com mais de 4000 agentes, alegando o temor de uma possível invasão, carregou sobre os populares usando bombas de gás lacrimogéneo, a cavalaria e camiões cisterna com jactos de água. Os confrontos estenderam-se por várias partes da cidade, mas até à hora que fechamos esta notícia não tinha sido divulgado qualquer balanço sobre vítimas.

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