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Líder da Renamo na lista de convidados do jantar com Marcelo

Afonso Dhlakama permanece "em parte incerta".

05 de maio de 2016 às 10:12

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, consta da lista de convidados para o jantar que o Presidente português oferece na sexta-feira em Maputo, embora permaneça "em parte incerta", devido ao conflito no centro de Moçambique.

Fontes diplomáticas confirmaram à Lusa que o líder da Renamo está entre os 50 convidados indicados pelo Governo de Moçambique para o jantar de sexta-feira oferecido por Portugal no hotel Polana, em Maputo, assim como o líder do terceiro partido da oposição, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango.

Para o jantar de sexta-feira, o último ponto de agenda da visita de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa a Moçambique, cabe a Portugal indicar os convidados portugueses e ao Governo moçambicano indicar os convidados moçambicanos, disseram as mesmas fontes.

Contudo, uma dessas fontes desvalorizou a indicação do nome de Dhlakama, considerando que, por razões protocolares, o líder do maior partido da oposição teria de estar sempre na lista de convidados.

Afonso Dhlakama encontra-se desde o final do ano passado presumivelmente algures na serra da Gorongosa, província de Sofala. 

No mês seguinte, o líder do maior partido da oposição viu a sua casa cercada e invadida pela polícia na cidade da Beira, numa alegada operação de recolha de armas em posse da sua guarda pessoal, determinando a sua retirada para a Gorongosa, onde supostamente ainda permanece.

Dhlakama passou quase dois anos escondido em Sadjundjira, na Gorongosa, durante a crise política e militar entre 2013 e 2104, e o local passou a ser conhecido em Moçambique como a "parte incerta".

Só abandonou a região no início de setembro de 2014, acompanhado por diplomatas ocidentais, incluindo o português José Augusto Duarte (embaixador em Maputo e assessor diplomático do Presidente português), para assinar o Acordo de Cessação de Hostilidades Militares com o ex-chefe de Estado Armando Guebuza e participar nas eleições gerais no mês seguinte.

A Renamo não reconheceu o resultado das eleições, ganhas oficialmente pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), e ameaça governar pela força nas seis províncias onde reclama vitória nas urnas.

A situação política e militar degradou-se acentuadamente nas últimas semanas, envolvendo confrontos entre Governo e Renamo, ataques atribuídos à oposição nas principais estradas do país, e acusações mútuas de raptos, assassínios e intimidações.

Apesar dos reiterados apelos para o diálogo feitos pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, o líder da Renamo considera que a confiança está quebrada e exige a mediação de União Europeia, da África do Sul e da Igreja Católica antes de qualquer negociação.

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