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César diz que apoio a Governo PSD/CDS colocaria em perigo a democracia

Presidente do PS negou qualquer inflexão à esquerda do seu partido.
Lusa 4 de Junho de 2016 às 12:48
O presidente do PS Carlos César
O presidente do PS Carlos César FOTO: Tiago Petinga/Lusa

O presidente do PS negou este sábado qualquer inflexão à esquerda do seu partido e defendeu que se os socialistas viabilizassem um Governo PSD/CDS-PP estariam a destruir a governabilidade e a colocar em perigo a democracia.

"Nem mais à esquerda nem mais à direita, este é o lugar que vamos confirmar neste congresso com uma votação favorável na moção de estratégia do secretário-geral, António Costa", declarou Carlos César no seu discurso perante o Congresso Nacional do PS, que durou cerca de 20 minutos.

O ponto essencial da intervenção do presidente do Grupo Parlamentar socialista destinou-se a vincar que o PS, pela primeira vez no Governo com base no apoio parlamentar de partidos à sua esquerda, mantém os seus valores históricos, embora se tenha adaptado às mudanças de uma globalização, com desregulação do papel dos Estados e com a emergência da supremacia dos mercados financeiros.


Neste quadro, de acordo com o presidente do PS, "em Portugal, como em outras democracias, a maior parte dos partidos ou mudaram ou adaptaram-se".

"Nem todos o fizeram da melhor forma, ou no melhor sentido, com a direita portuguesa a tomar como suas as dores do neoliberalismo, apostando na desigualdade e na desregulação a todos os níveis, o que teve efeitos devastadores na proteção das pessoas e nas capacidades dos Estados. Os socialistas portugueses, liderados por António Costa, assumiram a responsabilidade de tomar como sua a alternativa", disse.

Ou seja, de acordo com Carlos César, a direita portuguesa "desviou-se para a direita e o PS não lhe foi no encalço, nem precisou de fletir à esquerda".

"Ficámos onde devem estar os partidos verdadeiramente socialistas e sociais-democratas, ficámos onde estão os humanistas, os que não se conformam com a pobreza, os que combatem as desigualdades e os extremismos. Não poderia por isso o PS associar-se num Governo com o PSD e com o CDS-PP, onde se afundaria na sua própria indiferença, deixando a alternativa à desesperança ou aos extremismos que despontariam da direita ou da esquerda, o que afetaria a governabilidade e faria perigar a democracia, como já acontece em outros Estados europeus", sustentou o presidente do PS.

Depois de elogiar o "sentido de responsabilidade" e o contributo do Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes" para a governabilidade e estabilidade política, Carlos César afirmou ter a convicção de que os portugueses sabem compreender o atual posicionamento dos socialistas.

"Nem o PS se encarcerou na direita, nem está refém do Bloco de Esquerda, PCP e 'Os Verdes', porque está apenas prisioneiro dos compromissos que assumiu perante os portugueses", advogou.

Já sobre o Governo, o presidente do PS considerou que tem conseguido compatibilizar uma política de responsabilidade social com uma linha de responsabilidade financeira.

Carlos César manifestou-se ainda confiante numa vitória do PS nas eleições autárquicas e deixou palavras de elogio ao Governo Regional dos Açores, liderado por Vasco Cordeiro.

Carlos César PS Governo PSD CDS-PP política partidos e movimentos
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