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Dezenas de mortos e polícia queimado vivo no Congo

Manifestação violenta na capital, Kinshasa. Oposição fala em 50 mortos.
19 de Setembro de 2016 às 16:16
Kinshasa, República Democrática do Congo, política, distúrbios, guerras e conflitos, eleições
Kinshasa, República Democrática do Congo, política, distúrbios, guerras e conflitos, eleições FOTO: Reuters
A oposição congolesa garantiu que pelo menos 50 pessoas foram mortas hoje, em Kinshasa, depois de ter apelado a manifestações no país para exigirem a saída do Presidente, Joseph Kabila, no final do mandato, em 20 de dezembro.

"A Reunião (organização da oposição) deplora numerosas vítimas, mais de 50 mortos quantificados neste momento, vítimas de tiros com bala real da polícia e da guarda republicana", escreveu a coligação oposicionista, da República Democrática do Congo, em comunicado.

Os números oficias são mais baixos. O ministro do Interior da República Democrática do Congo, Évariste Boshab.
anunciou que 17 pessoas morreram esta segunda-feira em confrontos em Kinshasa antes de uma manifestação da oposição.

Entre os mortos estão "14 civis envolvidos em pilhagens" e três polícias, um dos quais foi "queimado vivo", disse Boshab numa conferência de imprensa em Kinshasa.

Os confrontos, que o ministro congolês classificou como "atos bárbaros e de selvajaria extrema", são os piores registados na capital da República Democrática do Congo desde os motins de janeiro de 2015, que causaram várias dezenas de mortos.

"A cidade de Kinshasa acaba de enfrentar um movimento insurrecional que se saldou por um fracasso", afirmou o ministro, acusando "os manifestantes" de terem "deliberadamente escolhido" não respeitar o itinerário que tinha sido combinado com as autoridades.

O protesto era dirigido contra o presidente, cujo mandato termina em Dezembro, mas que vai dando sinais de querer manter-se no poder, promovendo o adiamento das eleições, marcadas para novembro

A manifestação juntou milhares de pessoas na manhã desta segunda-feira em Limete (centro-oeste da capital da República Democrática do Congo). Jovens manifestantes atiraram pedras aos polícias que responderam com granadas de gás lacrimogéneo.

A EFE adianta que os protestos prosseguiam ao início da tarde em Limete, indicando a existência de um grande dispositivo policial e de um clima de grande tensão.

Esta semana termina o prazo legal para convocar as eleições em dezembro, dado que o anúncio deve ser feito com 90 dias de antecedência, mas no mês passado a Comissão Eleitoral Nacional anunciou que não terminaria o recenseamento eleitoral antes de julho de 2017.

A oposição acusa Kabila, 45 anos, de atrasar as eleições para prolongar o seu mandato, dado que não pode ser reeleito de acordo com a Constituição.

Vários partidos da oposição e organizações da sociedade civil propuseram que, no caso de não ser possível realizar eleições, se escolha um presidente interino que não Kabila para ficar à frente de um governo de unidade nacional
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