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Revista alemã Der Spiegel analisa mandato de Costa e compara estabilidade portuguesa à 'aldeia de Astérix'

Artigo recorda que quando o primeiro-ministro chegou ao poder, em 2015, o clima social do país era marcado pelas exigências da 'troika'.
Lusa 23 de Setembro de 2019 às 10:32
Primeiro-ministro, António Costa
António Costa, líder do PS
António Costa
António Costa
António Costa
Primeiro-ministro, António Costa
António Costa, líder do PS
António Costa
António Costa
António Costa
Primeiro-ministro, António Costa
António Costa, líder do PS
António Costa
António Costa
António Costa

A revista alemã Der Spiegel" dedica um artigo à avaliação do mandato do executivo do "simpático Senhor Costa" e à "receita" da governação do "socialista confiável", como lhe chama no título, comparando a estabilidade portuguesa à aldeia de Astérix. Também o primeiro-ministro já tinha feito a mesma comparação numa entrevista ao jornal Expresso alegando que Portugal é "uma espécie de aldeia do Astérix da estabilidade".

"Parece estar sempre de bom humor, com uma visão ligeiramente irónica, através dos seus olhos castanhos escuros, atrás dos seus óculos sem armação", começa por descrever o texto publicado na última edição da revista.

"O simpático 'Senhor Costa', com o seu governo de minoria socialista, tolerado pelos comunistas e pelos bloquistas, resistiu durante quatro anos -- um feito que dificilmente alguém esperaria que ele atingisse", por ler-se no texto publicado a duas semanas das eleições legislativas em Portugal.

"Enquanto em Espanha, o país já foi a votos mais vezes do que aquelas que foi governado, Costa concretizou um mandato bem-sucedido e quer ser reeleito a 06 de outubro. As suas hipóteses de ser escolhido são altas, com sondagens a indicarem 38% dos votos, mais do que os conseguidos há quatro anos", refere, acrescentando que a única questão é perceber se chegará à maioria absoluta.

O artigo recorda que quando António Costa chegou ao poder, em 2015, o clima social do país era marcado pelas exigências da 'troika', formada pelo Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia, em troca de um empréstimo de 78 mil milhões de euros.

"Desde então, Costa provou ser um dos poucos socialistas na União Europeia que conseguiu mitigar a austeridade, gerar crescimento e ainda atender às condições do Pacto de Estabilidade e Crescimento", pode ler-se na "Der Spiegel", publicada no fim-de-semana.

Das origens de António Costa, à entrada na Juventude Socialista, aos 14 anos, os estudos em direito, o trabalho ao lado de Jorge Sampaio, passando pelos cargos ministeriais que ocupou, o mais recente como responsável da pasta da Administração Interna no governo de José Sócrates, o texto de duas páginas percorre os momentos mais marcantes da vida do atual primeiro ministro.

Apesar de comparar o país à "aldeia de Astérix" na península ibérica, no que respeita a estabilidade, o texto descreve também as contestações sociais que o país tem sido alvo.

"Desde o início do ano, professores, enfermeiros e médicos têm estado em greve por salários mais altos e melhores condições. Quando os condutores de pesados pararam, no verão, o primeiro-ministro usou a força policial e militar para garantir combustíveis nas estações de serviço. A oposição acusou a atitude de ilegítima, mas milhões de turistas ficaram agradecidos", descreve o texto.

A "Der Spiegel" compara as ações de pré-campanha que foram levadas a cabo por António Costa e pelo seu "principal concorrente" Rui Rio.

Durante o périplo do candidato do Partido Socialista pela Estrada Nacional 2, durante a qual António Costa passou por várias localidades ao longo de 700 quilómetros, "as pessoas tiveram oportunidade de expressar as suas preocupações diretamente: escolas superlotadas, tribunais sobrecarregados e elevados tempos de espera na saúde."

"Rui Rio prefere apresentar-se em salas fechadas diante de um público selecionado. Embora o PSD tenha recebido o maior número de votos há quatro anos, não conseguiu formar governo, perdendo agora eleitorado", destaca o artigo.

O primeiro-ministro que "conseguiu recuperar a confiança dos portugueses" assiste ao crescimento da economia, desde 2016, a 2%, acima da média, também graças a um "boom" no turismo, explica o texto, atribuindo mérito ao ministro das Finanças, Mário Centeno, formado em Harvard e que já trabalhou no Banco de Portugal.

"Ele manteve o curso das políticas económicas do governo anterior, cedendo à esquerda em alguns aspetos: salário mínimo, reformas e ordenados dos funcionários públicos para transmitir que a era da austeridade tinha terminado. Ao mesmo tempo, reduziu a despesa pública", salienta o artigo, sublinhando que a "recuperação económica se deve sobretudo ao clima económico favorável".

É também com a ajuda de Centeno, segundo a publicação, que António Costa, que arriscou ao formar um pacto com as esquerdas, consegue aumentar o número de eleitores.

Até Wolfgand Schäuble (ministro das finanças alemão entre 2009 e 2017), que "inicialmente desconfiava do colega" considerou Centeno o "Ronaldo" do Eurogrupo.

Costa garante que "se uma crise internacional acontecer, o país está preparado", realça o texto, prometendo "dez mil milhões de euros em investimentos em ferrovias, estradas, escolas e hospitais. Apesar disso, sem aumentar o défice."

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