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Correio da Manhã

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Rui Mendes dá um grande show

Espetáculo dirigido por João Mota conta também com Virgílio Castelo, na pele do escravo, que mostra como os fracos podem derrotar os fortes.
2 de Novembro de 2013 às 21:13
Rui Mendes na pele de um proxeneta efeminado em ‘O Aldrabão’
Rui Mendes na pele de um proxeneta efeminado em ‘O Aldrabão’ FOTO: André Kosters/Lusa

À saída do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, não se ouve outra coisa. "Viste o Rui Mendes? Incrível, fantástico". É o efeito de ver o conhecido ator na pele de um proxeneta efeminado, uma das personagens centrais de ‘O Aldrabão', peça que João Mota está a apresentar na Sala Garrett até dia 17.

A partir de ‘Pseudolus', que o autor romano Plauto escreveu na era antes de Cristo, o encenador assina um espetáculo transbordante de energia, com alguns palavrões à mistura.

Virgílio Castelo, na pele do escravo Psêudolo, é o condutor da ação: mentindo e manipulando, leva a água ao seu moinho e celebra a vitória dos mais fracos contra os mais fortes (como o autor tanto gostava).

João Mota, que classifica o teatro de Plauto de "exibicionista, brutal, impudico, totalmente incorreto", diz que decidiu levá-lo à cena por ser "um autor de génio, criador de personagens que influenciaram Shakespeare e Molière", mas também por razões políticas. "Vivemos um momento coletivo de tristeza e apatia e é preciso acordar as pessoas", diz, acrescentando: "A comédia é o veículo ideal para isso".

Contando também com interpretações de João Ricardo, Fernando Gomes, Rui Neto e Miguel Raposo, entre outros, o espetáculo vive muito à boca de cena, já que, além de situações hilariantes, tem muitas cenas que procuram interação direta com a assistência. "O Plauto era assim", explica João Mota: "Popular, experimental e cúmplice com o seu público".

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