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Rui Moreira fala em "total irresponsabilidade" na recolha de votos para as presidenciais nos lares

Rui Moreira considerou que tudo está a ser tratado com um "extremo mau senso".
Lusa 13 de Janeiro de 2021 às 21:08
Rui Moreira
Rui Moreira FOTO: José Coelho/Lusa
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, apontou esta quarta-feira o "extremo mau senso" e a "total irresponsabilidade" no processo eleitoral e na recolha de votos nos lares de idoso.

Depois de Ana Gomes e Vitorino Silva, o autarca do Porto recebeu esta quarta-feira o candidato presidencial Tiago Mayan Gonçalves, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), com quem falou sobre as dificuldades de operacionalizar a votação dos confinados e dos idosos nos lares devido à pandemia de covid-19.

Rui Moreira considerou que o processo lhe "parece de uma total irresponsabilidade" e considerou que tudo está a ser tratado com um "extremo mau senso".

O autarca insistiu nas preocupações que tem revelado nos últimos dias relativamente à recolha do voto das pessoas que estão confinadas e dos idosos institucionalizados, que deverá acontecer entre terça e quarta-feira, e explicou que, só no Porto, há cerca de 80 lares e à volta de 3.500 pessoas.

"Desde logo criamos um risco para as pessoas que estão nos lares, que vão ficar muito surpreendidas porque não puderam receber a filha, a neta e o bisneto, mas vão ter lá o presidente da câmara vestido de escafandro para recolher o voto", salientou.

O autarca tem-se mostrado a favor do adiamento da eleição presidencial, marcada para 24 de janeiro.

"Tenho o mandato dos portuenses e tenho o direito de me indignar relativamente a esta matéria e não me venham falar na lei, porque as leis são feitas por nós", afirmou.

Acrescentou: "Em democracia, nós não estamos na Coreia do Norte, as lei são feitas por nós e se é preciso alterar as leis que alterem, se é preciso alterar a Constituição, já que andaram uma semana para declarar estas novas medidas, suspendam por 24 horas o estado de emergência e alterem a lei".

Rui Moreira vê com "muita preocupação", nomeadamente o "confinamento extremamente violento" que vai ser anunciado e ironizou que, daqui a uns dias "nada disto é preciso", porque "nesse dia as pessoas vão exercer o seu direito de voto".

Na sua opinião é preciso "criar condições para que as pessoas, em total liberdade e segurança, possam exercer o seu direito de voto, não criando aqui esta divergência entre aquilo que é a política e a vida dos cidadãos".

Já antes, o candidato presidencial Tiago Mayan Gonçalves tinha acusado o Governo de impreparação e de "lavar as mãos" na questão do voto antecipado no domicílio e nos lares, um procedimento que diz estar a ser "suportado" pelas autarquias.

"Realmente quem concebe isto por decreto não entende como as coisas se fazem no terreno", afirmou Tiago Mayan.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.945.437 mortos resultantes de mais de 90,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 8.080 pessoas dos 496.552 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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