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Sánchez acusa media de bloquearem entendimento com Podemos

Ex-secretário-geral do PSOE afirma que comunicação social e empresários impedem um pacto de Governo.
30 de Outubro de 2016 às 23:09
Pedro Sánchez analisa o processo que o levou a demitir-se da liderança do PSOE e do lugar de deputado
Pedro Sánchez analisa o processo que o levou a demitir-se da liderança do PSOE e do lugar de deputado FOTO: EPA

O ex-secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, disse este domingo em entrevista que vai depender do apoio das bases do partido a sua recandidatura ao lugar e acusou a comunicação social e os empresários de impedirem um pacto de Governo com o Podemos.

Em entrevista ao canal de televisão espanhol La Sexta, citada pela EFE, Pedro Sánchez analisa o processo que o levou a demitir-se da liderança do PSOE e do lugar de deputado, e questiona o "pensamento único" editorial contra o "entendimento entre as duas esquerdas": PSOE e Podemos.

Sánchez reconheceu ainda ter-se enganado em relação ao Podemos, partido com o qual defende um maior entendimento e colaboração.

"Cometi erros: no primeiro Comité Federal apelidei o Podemos de populistas. Não sabia exatamente o que era o Podemos. Não soube compreender a quantidade de gente por trás de Pablo Iglesias (líder do Podemos) que quer renovar a política", disse o ex-líder dos socialistas espanhóis.

Para Sánchez, o PSOE deve entender-se com "a outra esquerda", ou seja, o Podemos.

O ex-secretário-geral do PSOE disse que vai ponderar junto dos militantes se se apresenta às primárias para eleger o próximo líder do partido, mas admitiu que gostaria de o fazer.

Instou ainda Susana Díaz, líder dos socialistas andaluzes, a avançar se pretende dirigir o PSOE.

Sánchez confessou que decidiu opor-se à investidura de Mariano Rajoy como presidente do Governo de Espanha depois de uma conversa com o próprio Rajoy, na qual este lhe terá dito que necessitava do PSOE tanto para a investidura como para governar.

Sobre a Catalunha, defendeu que a crise política na região só se vai resolver votando um acordo acerca da reforma constitucional.

"Espanha é uma nação de nações. Isso é algo que temos que discutir e que temos que reconhecer", disse.

Já hoje, Sánchez lançou uma campanha de inscrições para "recuperar e reconstruir" o partido, anunciou na sua conta do Twitter.

Na sua página da internet da rede social, "sanchezcastejon.es", Sánchez anunciou esta campanha de inscrições, na qual o ex-líder assegura que não falhará o compromisso e pergunta aos utilizadores e visitantes, e aos cidadãos em geral, se o acompanham nesta tarefa.

Sánchez renunciou no sábado em Madrid ao lugar de deputado para evitar a obrigação de respeitar a disciplina de voto do seu partido e abster-se na votação que irá eleger Mariano Rajoy chefe do Governo.

"Compareço aqui para anunciar a minha renúncia como deputado", disse Pedro Sánchez numa conferência de imprensa convocada seis horas antes do início da sessão parlamentar (às 18:30, menos uma hora em Lisboa) que investiu Rajoy e a tempo de registar a sua renúncia nos serviços do Congresso de Deputados (parlamento).

Com este anúncio, o ex-líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) evitou desobedecer à disciplina de voto decidida pela nova direção provisória dos socialistas e também uma possível suspensão da sua militância no partido que o afastaria da corrida ao lugar de secretário-geral, mais uma vez.

Visivelmente emocionado e com lágrimas nos olhos, Sánchez explicou "quão dolorosa" era a decisão tomada, assegurou que não vai deixar a política e que a partir de segunda-feira iria começar a trabalhar para se voltar a candidatar ao lugar que ocupou até há um mês de secretário-geral.

Nos últimos meses, Pedro Sánchez defendeu com firmeza que o PSOE devia votar "não" a uma investidura de Mariano Rajoy, mas no início de outubro acabou por se demitir, depois de uma corrente maioritária do seu partido ter decidido que os socialistas se deviam abster, para evitar a marcação de novas eleições, as terceiras no espaço de um ano.

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