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Serial killer diz-se inocente

O ex-cabo da GNR, António Costa, acusado do homicídio de três jovens manifestou-se esta segunda-feira “inocente” relativamente aos crimes que lhe são imputados, os quais atribui ao tio de uma das vítimas.
4 de Junho de 2007 às 19:18
Na primeira sessão do julgamento, na Figueira da Foz, o ‘serial killer’ de Santa Comba Dão, como ficou conhecido, afirmou ter sido coagido, enganado e ameaçado pela Polícia Judiciária (PJ), para assumir a autoria dos crimes, pelos quais está a responder.
O depoimento agora feito em Tribunal contraria a primeira versão do arguido, que, em primeiro interrogatório e à PJ confessou ter assassinado as três jovens. Interrogado sob uma escuta telefónica, na qual confessava à família os crimes, António Costa disse não se lembrar.
Durante mais de duas horas, o ex-cabo da GNR afirmou ser uma pessoa de bem, com muitos amigos em Santa Comba Dão, e ter caído numa cilada montada pela PJ.
Esta nova versão levou o presidente do colectivo de juízes a considerar que há “contradições insanáveis” no depoimento do arguido.
O arguido está acusado de ter cometido 10 crimes: três de homicídio qualificado, três de ocultação de cadáver, dois de coacção sexual na forma tentada e um de denúncia caluniosa. António Costa, que ficou conhecido como o ‘serial killer’ de Santa Comba Dão, incorre numa pena máxima de 25 anos, pelo presumível assassinato de Isabel Isidoro e Joana Oliveira, ambas com 18 anos, e Mariana Lourenço, de 19. Os crimes terão ocorrido alegadamente em 2005 e 2006.
Durante a manhã, o Tribunal esteve a analisar o relatório de perícia médico-legal que concluiu pela imputabilidade do arguido. Carlos Fernandes, psicólogo e professor universitário, e Marques Pinto, psiquiatra, que estão no julgamento como consultores técnicos, contestaram o relatório. Carlos Fernandes considerou que os testes utilizados na definição da personalidade de António Costa “não têm validade científica” e “nunca deviam ser utilizados”. Já Marques Pinto afirma que o relatório “não tem sustentação e enferma de vários males”.
A defesa do documento ficou a cabo de Isabel Baptista, técnica do Instituto de Reinserção Social de Lisboa. A psicóloga defende que o relatório “tem validade”, pois “está aferido para a população portuguesa”.

António Costa chegou esta manhã ao Tribunal da Figueira da Foz algemado e sob fortes medidas de protecção. Dentro da sala do Tribunal estiveram apenas 40 pessoas, entre familiares das vítimas e jornalistas.
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