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Sócrates aproveita-se do programa de Ferreira Leite

Tal como já fizera com Francisco Louçã, José Sócrates recorreu ao programa de governo de outro partido para dominar o debate com Manuela Ferreira Leite, sua principal adversária na qualidade de presidente do PSD, transmitido hoje à noite pela SIC.
12 de Setembro de 2009 às 22:00
Sócrates aproveita-se do programa de Ferreira Leite
Sócrates aproveita-se do programa de Ferreira Leite FOTO: Pedro Catarino

O primeiro-ministro mostrou uma leitura atenta de 'Compromisso de Verdade', o programa de governo do PSD, para acusar Ferreira Leite de 'oportunismo político' por ter deixado de fora medidas defendidas ao longo dos últimos anos pelo PSD, como a introdução de portagens nas Scut.

Logo de seguida referiu-se ao facto de Ferreira Leite defender a eliminação de impostos como o Pagamento Especial por Conta (PEC) e o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), os quais foram criados quando era ministra das Finanças. 'O arrependimento fica-lhe bem', disse Sócrates, com um sorriso que raramente o abandonou à medida que o tempo se esgotava.

No início do debate, a jornalsita Clara de Sousa defendeu que se tratava de um 'confronto muito aguardado e, quem sabe, decisivo', mas depois de uma fase inicial em que a social-democrata salientou a sua carreira académica e profissional num aparente tentativa de aludir à polémica licenciatura de Sócrates, o primeiro-ministro não demorou a demonstrar-se muito mais à vontade do que a sua opositora.

Manuela Ferreira Leite mostrou irritação quando lhe foi referido o facto de António Preto e Helena Lopes da Costa integrarem as listas de candidatos a deputados apesar de terem problemas com a justiça. E admitiu que, 'por ser o primeiro-ministro nos últimos quatro anos', tinha à sua frente o homem responsável pela asfixia democrática e pelo clima de medo que diz sentir-se em Portugal.

Sócrates explorou o facto de Manuela Ferreira Leite ter assumido o compromisso de fazer quatro linhas de comboio de alta velocidade quando era ministra das Finanças e acusou-a de mudar de convicções, o que a candidata a primeiro-ministra justificou: 'Em 2003 a situação do país não era a mesma.'

O tema dos comboios de alta velocidade originou outro momento quente, quando Ferreira Leite lançou um apelo a Sócrates: 'Diga aos seus camaradas da fronteira que deixem de fazer manifestações e pressões contra a minha pessoa.'

Este respondeu-lhe que os protestos 'eram legítimos', ao que a presidente do PSD respondeu que se referia a pressões vindas de Espanha. 'Não gosto de ver espanhóis metidos na política portuguesa', disse Ferreira Leite, pecando no excesso de subtileza caso tenha feito uma menção ao afastamento de Manuela Moura Guedes por decisão da Prisa.

No que toca ao défice público no tempo dos executivos liderados por Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, Ferreira Leite defendeu que foi herdado do 'governo socialista do engenheiro Guterres', no qual José Sócrates era ministro, e pôs em risco a atribuição de fundos estruturais a Portugal. 'Orgulho-me de que entrei com esse problema e saí com o processo arquivado', referiu a líder social-democrata.

Ferreira Leite disse estar 'em total desacordo' com aumentos de carga fiscal feitas pelo executivo de Sócrates, como a tributação às reformas e acusou o primeiro-ministro de 'aumentar todos os impostos menos os que eram receitas das autarquias'.

José Sócrates acusou o PSD de tentar a privatização parcial da Segurança Social, socorrendo-se de uma proposta do grupo parlamentar social-democrata durante a liderança de Marques Mendes. Mais tarde citou um artigo escrito por Manuela Ferreira Leite em que esta defendeu a possibilidade de privatizar todos os sectores à excepção dos que têm a ver com segurança e soberania nacional.

A presidente do PSD ripostou. 'O engenheiro Sócrates utiliza uma técnica que eu repudio: não explica aos portugueses a consequência negativa para os pensionistas das suas propostas. Dentro de dez anos recebem metade mas daqui a dez anos não estará cá.' Mais uma vez sorridente, Sócrates corrigiu-a: 'Estarei cá. Não serei é primeiro-ministro.'

No que toca à educação, Ferreira Leite criticou a imposição do modelo de avaliação que considera ter levado à saída dos 'professores mais qualificados', Sócrates garantiu que tomou decisões tendo em conta o interesse geral. E quando lhe perguntaram se iria manter a mesma ministra, disse que um novo Governo terá novos ministros.

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