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Substituição de lápides de cemitérios militares em França ainda sem verbas suficientes

Estão sepultados quase dois mil soldados portugueses.
26 de Junho de 2014 às 09:22

A Liga dos Combatentes pretende substituir até 2018 as lápides dos cemitérios militares de Boulogne-sur-Mer e Richebourg, em França, onde estão enterrados quase dois mil soldados portugueses, mas o projeto envolve "custos significativos" e pode demorar mais tempo.

"As lápides estão a deteriorar-se, nós temos um plano, mas as verbas são significativas, estamos a desenvolver esse plano parcialmente", adiantou à agência Lusa o presidente da Liga dos Combatentes, tenente-general Joaquim Chito Rodrigues.

Chito Rodrigues afirmou que "o objetivo" é concluir a substituição das lápides, de granito trazido de Portugal e com mais de oito décadas, em 2018, quando se assinalam cem anos sobre o fim da I Guerra Mundial, mas ressalvou que "o planeamento tem de ser feito de acordo com os meios que existem".

"Esperamos que a recuperação possa começar em breve, já temos alguns apoios, esperamos nessa data [2018] já ter alguma coisa feita, senão mesmo tudo já feito", afirmou o militar do Exército, que, sem especificar valores, disse contar para já com o apoio do Ministério da Defesa.

O presidente da Liga dos Combatentes adiantou que o projeto deverá começar pelo cemitério localizado em Boulogne-sur-Mer, no noroeste de França, com 44 campas, e só depois avançar para Richebourg, o maior cemitério militar português na Europa, que começou a ser construído em 1924 e onde estão enterrados 1.831 soldados portugueses.

Na semana passada, o presidente da União Franco-Portuguesa de Richebourg, João Marques, disse à Lusa que no ano passado já tinha sido pedido um orçamento à Comissão de Túmulos de Guerra da Commonwealth, entidade que gere todos os cemitérios britânicos no mundo, e que a estimativa rondaria os 500 mil euros.

Já o presidente da Liga dos Combatentes considerou que este valor deve ser insuficiente: "Partimos de valor mais elevados, até pode ficar por esse valor, mas acho difícil".

João Marques revelou, no entanto, que os britânicos manifestaram indisponibilidade de tempo devido à quantidade de trabalho existente nesta altura, em que milhares de campas estão a ser limpas ou substituídas no âmbito das comemorações do centenário da I Guerra Mundial.

"Até já sugeri que isto fosse entregue a uma empresa portuguesa, mas que eu saiba até à data não pediram nenhum orçamento lá em Portugal, isto está aqui muito trabalho por fazer", afirmou o presidente da União Franco-Portuguesa.

Já o adido militar português na embaixada em Paris, coronel Alberto Marinheiro Coronel, também envolvido no processo, adiantou à Lusa que depois da resposta da Comissão de Túmulos de Guerra "o processo voltou para trás" e que neste momento se está "à procura de outra forma de fazer a obra".

Na quinta-feira, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, visita o cemitério de Richebourg, no âmbito do centenário da I Guerra Mundial.

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