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Correio da Manhã

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TESTEMUNHAS CREDÍVEIS

No despacho do juiz Rui Teixeira que justificou as detenções de Carlos Cruz e Ferreira Diniz e a libertação sob caução de dez mil euros de Hugo Marçal, o Tribunal Criminal de Lisboa (TIC) considerou como testemunhas credíveis as crianças da Casa Pia que incriminaram o apresentador de televisão, o médico e o advogado de Elvas, soube o CM junto de fonte ligada ao processo.
7 de Fevereiro de 2003 às 00:42
Apesar de Carlos Cruz e Hugo Marçal terem garantido que não conhecem crianças da Casa Pia, Rui Teixeira limitou-se a escrever que tal não é possível, invocando o que está registado em folhas constantes no processo, referindo-se aos depoimentos das crianças, que são classificadas como jovens, desprotegidos, infelizes, embora credíveis.

A imagem pública de que goza Carlos Cruz também está salientada, com o juiz do TIC a observar que há inúneras pessoas nessas circunstâncias, mas nenhuma delas foi identificada pelas testemunhas.

Segundo o despacho, Carlos Cruz e Ferreira Diniz cometeram dois crimes de abuso sexual de crianças e Hugo Marçal quatro crimes de lenocínio (instigação à prostituição). Carlos Silvino, também é focado como uma das partes da rede, sendo Hugo Marçal outra e Carlos Cruz e Ferreira Diniz os clientes finais.

CRIMES DESDE 1998

Noutro ponto, é afastada a hipótese de os arguidos estarem a planear fugir, mas a prisão preventiva foi tida como aconselhável, visto que havia o perigo de o apresentador e o médico continuarem a prática da pedofilia o que poderia suscitar alarme e perturbação da ordem pública. O CM sabe que para justificar tal possibilidade – embora esteja mencionado que os crimes de que são acusados reportam a um período de tempo de 1998 até ao presente – no despacho consta que Carlos Cruz e Ferreira Diniz estão relacionados ou referenciados com anteriores práticas homossexuais, envolvendo menores.

O juiz do TIC também desmontou a tese da cabala invocada pelos advogados de defesa (Serra Lopes e João Nabais) – de acordo com a qual há um esquema montado que tenta destruir a imagem de Cruz, Diniz e Marçal – frisando que nenhum dos arguidos foi capaz de apontar um único nome que pudesse sustentar tal hipótese, nem levantar qualquer dúvida que pudesse supor a existência da mesma ou avançar pistas para posterior investigação. Cruz, Marçal e Diniz apenas se limitaram a negar os factos de que foram acusados. O mesmo documento confirma ainda que os arguidos não foram confrontados com as provas existentes no volumoso processo (são mais de 500 páginas), dado que, de acordo com o juiz, o exercício pleno dos direitos de defesa só são concedidos na fase de julgamento, altura em que têm total acesso aos autos, sendo nessa fase que é possível aos advogados exercerem o direito do contraditório.
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