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Tetraplégico move-se com exoesqueleto que lhe lê o cérebro

Ao longo de dois anos, um homem de 28 anos que não movimenta os braços e as pernas ensinou um algoritmo a fazê-lo andar.
SÁBADO 4 de Outubro de 2019 às 14:59
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Homem não conseguia andar desde uma queda que lhe afetou a medula.
Um homem tetraplégico conseguiu movimentar os braços e as pernas através de um exoesqueleto robótico sem fios, que controla com sinais cerebrais. Este avanço tecnológico foi noticiado na revista científica The Lancet dedicada à neurologia esta quinta-feira, dia 3.

Nas imagens, vê-se um paciente com 28 anos chamado Thibault a usar o exoesqueleto, ligado ao teto com um arnês. O período de testes durou dois anos, e os médicos envolvidos consideram que os resultados abrem a possibilidade de conseguir um dia ajudar pacientes paralisados a usar computadores através dos sinais cerebrais.

Porém, por agora o exoesqueleto é um protótipo experimental e está "longe da aplicação clínica".

"Este é o primeiro sistema entre o cérebro e o computador semi-invasivo e sem fios desenhado… para ativar os quatro membros", explicou à Reuters Alim-Louis Benabid, neurocirurgião e professor na Universidade de Grenoble, França, que co-liderou os testes.

Como funciona o exoesqueleto?
O sistema robótico sem fios suporta as pernas e os braços, ou um exoesqueleto, e é comandado através dos sinais emitidos pelo cérebro.

Estes sinais são recolhidos por sensores implantados entre o cérebro e a pele, que cobrem a zona do córtex cerebral dedicada ao movimento e a dedicada ao tato. Os sensores gravam os sinais sendo que cada gravador tem 64 elétrodos, que recolhem os sinais do cérebro e os transmitiam a um algoritmo de descodificação.

Este algoritmo foi "treinado" pelo paciente ao longo de 24 meses, de forma a que entendesse os pensamentos do paciente e os traduzisse para movimentos, permitindo-lhe fazer vários.

Antes, outras tecnologias de leitura de sinais cerebrais para os traduzirem em movimentos usavam sensores invasivos implantados no cérebro, onde podem causar mais perigo para a saúde e parar de trabalhar. Outras versões também estavam ligadas com fios – ao contrário deste sistema, que quase não os tem - ou limitavam o movimento a apenas um membro.

Tom Shakespeare, professor da Escolha de Higiene e Medicina Tropical de Londres, relata à Reuters que é um avanço bem-vindo e excitante, mas sublinhou que "provar o conceito está muito longe da possibilidade clínica utilizável". "Há sempre o perigo de exagero existe sempre neste campo. Mesmo que se possa reduzir, os constrangimentos dos custos significam que as opções de alta-tecnologia nunca vão estar disponíveis para a maioria das pessoas do mundo com problemas na coluna", lamenta.
The Lancet Reuters ciência e tecnologia saúde questões sociais
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