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Correio da Manhã

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"Quero acreditar que foi o comboio e não que morreu às mãos de alguém"

Tia de Inês, uma das raparigas mortas em Montemor, tem muitas dúvidas sobre acidente.
10 de Dezembro de 2016 às 11:01
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Isabel Simões quer ver mortes de Montemor-o Velho esclarecidas ao detalhe.

"Quero crer que as meninas foram realmente colhidas pelo comboio, para que eu e a família fiquemos mais tranquilos. Quero acreditar que foi o comboio e não que ela tenha sofrido às mãos de alguém". Isabel Simões, tia de Inês Rosa explica à CMTV a dúvida que a atormenta desde que soube da morte da rapariga de 14 anos, uma das duas adolescentes encontradas mortas esta sexta-feira, Vila Nova de Anços, Soure.

Isabel duvida da explicação dada à família, a de que as menores foram colhidas por um comboio quando caminhavam junto à linha para regressar a casa, em Montemor-o-Velho. 

"Ela não era menina de sair de casa como saiu. Será que foi à aventura? Nunca fez tal coisa e não fazia. Não é sem dinheiro que se vai para Coimbra de comboio, como elas foram. Elas até podem ter ido à aventura. Mas foi porque alguém as desafiou" diz a familiar, que quer ver o caso esclarecido até que não restem dúvidas. "Fica-me a mágoa, se não descobrir não faço o luto da minha sobrinha".

"Como é possível terem passado ali tantas pessoas, tantos comboios e nunca ninguém viu os corpos", pergunta Isabel, que afirma ter percorrido "mais de 180 quilómetros" na quinta-feira à procura da sobrinha e da amiga. Diz que esteve "a poucos metros" do local onde as menores foram localizadas.

A tia de Inês refaz o filme dos acontecimentos da tarde e noite de quarta-feira e a forma como a irmã lidou com o desaparecimento da filha. 

"Tivemos um funeral à tarde e ela [a mãe de Inês] foi trabalhar para o restaurante. Chegou  a casa às oito horas e estranhou e não ter lá as miúdas porque iam as duas lá dormir. Deixaram os sacos e saíram para tomar café, foi o que disseram ao irmão da Inês".

Isabel conta os contatos telefónicos que a mãe de Inês fez para as duas raparigas. "Às 20h05  ligou para a Inês, mas ela não tinha bateria e ligou para a Lígia. Falou com a Inês através do telefone da Lígia. A minha irmã perguntou ‘onde é que tu estás? Quero-te em casa em cinco minutos'. Notou que ela estava cansada".

As raparigas terão dito então que vinham trazer uma amiga ao apeadeiro de Montemor-o-Novo e que não iam demorar. Não informaram os familiares da viagem à cidade dos estudantes: "Ninguém da família sabia que elas estavam em Coimbra"

Depois de falar com a filha, a mãe de Inês não sossegou. "A minha irmã pegou na carrinha e foi ao apeadeiro ver se as encontrava. Não viu ninguém. Deixou a carrinha na estação e pôs-se a andar à beira da linha até Alfarelos".

"Cerca das 20h25, ela voltou a ligar às raparigas e elas disseram "já estamos a chegar mãe". Dois ou três minutos depois já não havia contacto".

Isabel admite que as emoções são ainda muito fortes. "
A ficha ainda não caiu. Será verdade, será real? Aquilo que acontece aos outros aconteceu-nos a nós?". Mas espera que não restem dúvidas sobre as causas da morte da sobrinha.


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