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Trabalhadores do Hospital da Cruz Vermelha protestam em defesa do acordo de empresa

CGTP exige que administração do hospital ao diálogo.
Lusa 5 de Dezembro de 2017 às 11:55
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa

Cerca de meia centena de trabalhadores, que iniciaram uma greve na segunda-feira e cuja adesão ronda os 75%, estavam concentrados às 09h30 junto ao Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa, em defesa do acordo de empresa. CGTP exige que administração do hospital ao diálogo.

A greve foi convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), pelo Sindicato da Hotelaria do Sul e Sindicato Nacional de Profissionais de Farmácia e Paramédicos (SIFAP) e abrange enfermeiros, auxiliares, administrativos e trabalhadores da área da farmácia.

Em declarações à agência Lusa, Rui Marroni, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) adiantou que cerca das 09h30 ainda não tinham sido apurados os dados relativos ao turno da manhã, mas no da noite foi registada uma adesão de 75%, ligeiramente inferior ao primeiro dia (segunda-feira) que rondou os 80 a 90%.

"A adesão é muito grande. Ultrapassou até as expectativas porque a intimidação é muito grande. Cerca de 25% dos trabalhadores do hospital estão subcontratados a uma empresa criada pela própria administração, a Servihospital, e tem havido muita intimidação sobre todos eles", disse.

No protesto desta terça-feira esteve presente o secretário-geral da CGTP-in, Arménio Carlos.

De acordo com Rui Marroni, na origem da greve está a negociação do acordo de empresa, que a "administração não tem vontade de mudar".

"A administração não mostra vontade de sair de uma posição inicial que apresentou em novembro de 2015 e as negociações começaram em fevereiro de 2016. Desde então decorreram 22 reuniões negociais onde pouco se evoluiu, apesar de os sindicatos terem reformulado e apresentado contrapropostas que se aproximaram muito das da administração", contou.

O sindicalista explicou que mais tarde a administração da Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCVP) acabou por requerer a caducidade da convenção e depois seguiu-se um processo de conciliação solicitado pelos sindicatos, mas a empresa continuou a não demonstrar vontade negocial.

"Contudo, não está só em causa o acordo de empresa, está também a integração de cerca de uma centena de trabalhadores subcontratados, achamos que são 80 ou 100 pois não temos dados porque a administração não nos forneceu. Temos a impressão que estes são uma quarta parte dos trabalhadores do hospital e muitos deles ainda estão a recibos verdes", explicou.

No entender de Rui Marroni, o fundamental agora é prosseguir com a negociação e integração dos trabalhadores subcontratados.

"A greve termina hoje, mas há disponibilidade dos trabalhadores para continuar a lutar", concluiu.

Os trabalhadores do HCVP decretaram greve geral para segunda-feira e esta terça-feira, em defesa do acordo de empresa e pela integração nesse acordo de todos os profissionais subcontratados.

Os trabalhadores já tinham estado em greve em junho e voltaram à paralisação "face ao impasse demonstrado pela administração" do Hospital, que apresentou a denúncia do acordo de empresa em novembro de 2015, segundo os sindicatos.

Os sindicatos requereram a mediação do processo junto do Ministério do Trabalho e "solicitaram entretanto reuniões à Direção-Geral da Saúde e às entidades acionistas do HCVP: Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) e Parpública, no sentido do desbloqueamento desta situação de impasse e salvaguarda da paz social na instituição".

De acordo com os sindicatos, as reuniões com aquelas entidades concretizaram-se nos passados dias 21 de novembro com a CVP e no dia 24de novembro com a Parpública.

"Nestas reuniões, os responsáveis destas entidades informaram os sindicatos, de que iriam reunir com a administração do HCVP, no sentido desta situação poder vir a ser desbloqueada", indicaram os sindicatos.

CGTP exige que administração do hospital volte ao diálogo
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou esta terça-feira que os trabalhadores do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCVP) estão a ser "vítimas da destruição do seu acordo de empresa" e exigiu à administração que volte ao diálogo.

Arménio Carlos falava cerca das 09h30 à porta do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCVP), em Lisboa, juntamente com a deputada do PCP, Ana Mesquita, onde prestou solidariedade aos trabalhadores daquela unidade hospitalar que estão em greve em defesa do acordo de empresa e pela integração nesse acordo de todos os profissionais subcontratados.

"Acima de tudo a CGTP-IN está aqui para mostrar a solidariedade para com estes trabalhadores do HCVP que estão a ser vítimas da destruição do seu acordo de empresa. Por outro lado, estamos aqui também para lhes transmitir que não é admissível que um acionista que é a Parpública, que é paga com o dinheiro dos contribuintes portugueses, esteja a colaborar nesta tentativa de destruição de direitos, do acordo de empresa", disse.

No entender de Arménio Carlos, não há justificação para a "destruição do acordo de empresa", por isso, a administração da HCVP deve iniciar que a negociação com o respetivo sindicato e federação.

"Não se justifica a existência de uma empresa que é a Servihospital para contratar trabalhadores com vínculos precários, nomeadamente falsos recibos verdes, para prestar serviços de trabalho permanente", disse.

De acordo com o secretário-geral da CGTP, os trabalhadores devem passar aos quadros, a efetivos uma vez que fazem trabalho permanente.

"Este é o momento certo para que a CVP repense a sua atitude e intervenção e mais do que ter a sua atitude prepotente de arrogância e de rotura que tenha uma atitude de diálogo e de solução para o problema", disse.

Segundo Arménio Carlos, os trabalhadores estão disponíveis para encontrar uma solução, mas vai depender da vontade da administração resolver o problema.

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