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Correio da Manhã

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Transição de gestores não é caso único

A transição de gestores do sector público para o sector privado “merece reflexão”, afirmou esta terça-feira o ministro das Finanças, sublinhando, no entanto, que a saída de gestores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para o BCP não é caso único.
29 de Janeiro de 2008 às 19:01
Na Comissão de Orçamento e Finanças, Teixeira dos Santos referiu que o Governo deve “avaliar as vantagens e os inconvenientes de uma nova prática”, entendendo por tal a instituição de limites a este tipo de situações.
“Ao longo dos anos, temos assistido em Portugal a mudanças desta natureza”, afirmou o ministro, dando como exemplo, embora sem nomear, o caso de António de Sousa, que passou de governador do Banco de Portugal para presidente da CGD. “Na altura, a questão não foi suscitada”, disse.
Por isso, Teixeira dos Santos considera que a saída de Carlos Santos Ferreira e de outros dois gestores da CGD para o BCP “não nos devia surpreender”, visto que “não é inédito no sistema financeiro”.
BCP TENTOU ESCAPAR À SUPERVISÃO
Comentando as alegados actos ilícitos praticados pelo BCP, Teixeira dos Santos afirmou que se tratou de “uma operação bem urdida e definida para escapar à supervisão”. O governante acrescentou ainda que “foi prestada informação falsa, não sendo possível aos supervisores averiguar se a informação era verdadeira”.
“As coisas foram mudadas e disfarçadas ao longo do tempo e isto torna a situação grave, mas as responsabilidades são das entidades que as praticaram e das pessoas que estão por detrás dessas operações.
TEIXEIRA DOS SANTOS NÃO COMENTA EVENTUAL CORTE DE JUROS
Na Comissão parlamentar, o ministro escusou-se a comentar uma eventual necessidade de um corte das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE).
Teixeira dos Santos justificou que um governante não deve interferir na independência e credibilidade da instituição. A posição do ministro, contrasta com a de Nicolas Sarkozy, presidente de França, que tem vindo a pressionar o BCE.
O ministro repetiu o discurso de que Portugal está actualmente mais preparado para enfrentar a crise dos mercados financeiros, devido às reformas estruturais. “Tenho a responsabilidade de não embarcar em discursos catastróficos”, que são “completamente infundados”, disse o titular da pasta das Finanças.
No dia em que o FMI reviu em baixa as previsões de crescimento mundial, Teixeira dos Santos reafirmou não ter elementos que justifiquem a alteração das previsões económicas de Portugal.
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