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"Não sobrou nada": Proprietário de restaurante de luxo reduzido a cinzas em Faro estima prejuízo de um milhão de euros

Durante a manhã, os Bombeiros Sapadores de Faro faziam ainda o rescaldo do incêndio.
Lusa 3 de Março de 2021 às 13:59
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Restaurante de luxo em Faro reduzido a cinzas. Veja as imagens de drone
O proprietário do restaurante que ardeu esta quarta-feira durante a madrugada na ilha Deserta, em Faro, estimou em mais de um milhão de euros o prejuízo causado pelas chamas, tendo em conta que a destruição é "total".

"Não sobrou nada. Agora é remover toda a sucata, já que a madeira sublimou, ficaram as chapas dos equipamentos hoteleiros do restaurante e dos painéis do topo do restaurante. Fica o espaço para reconstruir", afirmou à Lusa José Vargas.

Segundo o empresário, o valor do prejuízo será "sempre superior a um milhão de euros", na sequência da destruição do equipamento pelo fogo, cujas causas ainda são desconhecidas, mas que estão já a ser averiguadas pela Polícia Judiciária (PJ).

O "Estaminé" era o único restaurante instalado na ilha da Barreta - conhecida como Deserta pela ausência de habitações permanentes --, sendo muito procurado durante o verão, sobretudo desde a construção da nova estrutura, em 2007.

A imagem registada por muitos, durante anos, de uma estrutura de madeira a receber quem visita aquela ilha da Ria Formosa, situada frente a Faro, está agora reduzida a escombros: um monte de cinzas, madeira e ferro queimado.

O incêndio, que foi visível das cidades de Faro e Olhão, a cerca de seis quilómetros de distância, atingiu também os dois passadiços de madeira, agora interditados à passagem por fitas da Polícia Marítima, constatou a Lusa no local.

Tanto o passadiço que recebe os visitantes que chegam à ilha de barco, como o que os encaminhava para a praia, no lado oceânico, terminam agora em barrotes e tábuas negras, num cenário repleto de escombros e material destruído.

Durante a manhã, os Bombeiros Sapadores de Faro faziam ainda o rescaldo do incêndio, com a água a ter de ser bombeada diretamente do canal de navegação, já que não existem estruturas de abastecimento de água da rede no local.

O estabelecimento estava a ser alvo de obras de manutenção e a ser preparado para quando pudesse abrir, já que a empresa estava abrangida pelo "regime do apoio à retoma", com a expectativa de que os 33 trabalhadores regressassem ao trabalho "no verão".

José Vargas assume que gostaria que a reconstrução acontecesse "o mais depressa possível" mas aponta que esse "possível" é "difícil de determinar", principalmente num altura em que "o país está confinado e com problemas de entrega de materiais".

"Já estamos a tratar disso, mas é muito difícil que esteja pronto para o verão", assegura, acrescentando que o valor estimado do prejuízo já foi participado ao seguro.

Conseguir reconstruir neste período "é complicado" já que se trata de uma "edifício complexo", sendo necessário garantir, para além do edifício do restaurante, a produção de água doce, através de uma unidade de dessalinização, e a produção de energia elétrica, já que ficou "tudo destruído".

No meio da destruição destaca-se meia dúzia de painéis solares rotativos que serviam de fonte de eletricidade, mas José Vargas assegura que essa é "a parte mais barata da questão" assumindo que os inversores e a bateria, de custo elevado, ficaram "lá com o restaurante".

O alerta às autoridades foi dado pelo proprietário do restaurante, depois de ter sido avisado "por um pescador" que navegava ali perto, por volta das 23:00 de terça-feira, tendo sido mobilizados a Polícia Marítima e os Bombeiros Sapadores de Faro.

A atual estrutura do restaurante "Estaminé", agora destruída, foi inaugurada em 2007, mas o restaurante já existia naquela ilha desde meados da década de 1980, em instalações mais precárias.

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