Diretor da prova reconhece à cidade potencial para se tornar um centro náutico de excelência.
O diretor da Volvo Ocean Race anunciou que equaciona manter "por 10 anos ou mais" o estaleiro da prova em Lisboa, por reconhecer à cidade potencial para se tornar um centro náutico de excelência.
"Se nos pudermos manter em Lisboa por um período consistente, a cidade tornar-se-á a longo prazo muito atrativa para outros setores envolvidos no desenvolvimento de barcos e terá oportunidade de ser um centro de excelência em termos de investigação", afirmou Mark Turner.
Na sede da Volvo Ocean Race, em Alicante, o diretor da prova, ex-oficial da Marinha Britânica, fundador da empresa OC Sports (que promove também o circuito Extreme Sailing Series) e ex-participante da própria Volvo Ocean Race, então denominada Whitbread, admitiu mesmo que o assunto já foi discutido com a Câmara Municipal de Lisboa.
Turner adiantou que o seu objetivo é transformar a estrutura criada em maio deste ano na Doca de Pedrouços, para a montagem final dos barcos, na "base técnica da prova ao longo da próxima década ou mais".
Com isso, Lisboa, já uma cidade com "solidez económica", sairia ainda mais beneficiada, uma vez que, apenas com duas edições no currículo, já é a localização "com mais retorno por dólar" em todo o circuito da competição.
Os fatores que contribuíram para esse sucesso são os mesmos que continuarão a funcionar como atrativos na captação de novo investimento para Portugal.
"Lisboa tem uma posição geográfica ideal, combina um ambiente físico próximo do mar com ventos que podem ir de 5 a 35 nós e é uma porta aberta tanto para o Atlântico como para o Mediterrâneo", explicou.
Tendo em conta que a organização da Volvo Ocean Race está por esta altura a definir a sua estratégia de longo prazo e equaciona a possibilidade de deixar de ter periodicidade trienal, o diretor da prova acredita que a cidade terá capacidade para vir a "incubar uma série de novas empresas relacionadas com a náutica".
"Lisboa merece ter o 'boatyard' por 10 anos. Partindo do princípio de que temos condições para isso, podemos vir a ter uma prova a cada ciclo de dois anos e isso dará um novo impulso à cidade, que é o único local do circuito onde as equipas podem testar os barcos durante os meses que antecedem o evento", realçou.
A 11 meses do arranque oficial do evento, que se realiza de outubro de 2017 a junho de 2018, já trabalham mais de 80 pessoas por semana no 'boatyard' e, considerando toda a logística da construção naval e necessidades daí decorrentes ao nível de alojamento, restauração e outros serviços, a organização estima em mais de seis milhões de euros o impacto que a prova gerou na economia local só entre maio e dezembro.
"Cascos e decks já estão prontos, mas tudo o resto é montado em Lisboa e o nível de qualidade que aí temos é um bom catalisador para o futuro", frisou Mark Turner, acrescentando: "Se Lisboa se tornar a nossa base predefinida, muitos mais milhões (de euros) se seguirão"
A Volvo Ocean Reace é considerada a mais longa prova náutica do mundo, percorrendo um circuito oceânico superior a 80.000 quilómetros, em nove etapas.
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