A coesão familiar é o segredo da continuidade
Gerir uma empresa familiar com quase dois séculos de história implica conciliar a preservação de um legado com a necessidade de transformar o negócio. A José Maria da Fonseca, fundada em 1834, é hoje gerida pela sétima geração da família.
“Desde
pequeno que pensava que gostaria de trabalhar na José Maria da Fonseca. Fiz o
meu percurso académico e profissional com esse objetivo”, explica António Maria
Soares Franco, co-CEO da José Maria da Fonseca, responsável pelas áreas de
marketing e vendas, no programa Economia Sem Fronterias do canal NOW. A seu
lado estão o primo Francisco Soares Franco, co-CEO responsável pelas áreas de
produção, logística e qualidade, e Sofia Soares Franco, responsável pela
comunicação institucional e pelo enoturismo. Os três constituem a sétima
geração na gestão da José Maria da Fonseca. Estão à frente da empresa desde
2020, quando foi elaborado um protocolo familiar que rege as relações entre a
gestão e a propriedade.
A responsabilidade de assegurar a continuidade de uma casa com esta dimensão é
grande, mas também constitui uma motivação pessoal. “É uma grande
responsabilidade estar à frente de uma empresa com 200 anos, mas também uma
grande motivação. Ao fim do dia, trabalhamos para os nossos filhos. O que pode
ser mais entusiasmante?”, interroga-se António Maria Soares Franco. A ligação
entre gerações não significa, porém, que a empresa possa limitar-se a repetir o
passado. A história da casa inclui várias mudanças que alteraram a forma de
produzir, comercializar e apresentar os vinhos.
António Maria Soares Franco considera que a continuidade depende sobretudo da
coesão entre os acionistas, de uma estratégia partilhada e de uma gestão capaz
de concretizar os objetivos definidos. “É fundamental haver alinhamento quanto
à estratégia e aos valores que a família quer que a empresa tenha, e depois uma
equipa executiva que dê vida a essa ambição”, refere António Maria Soares
Franco. Após ter feito Gestão na Católica de Lisboa, passou pela Procter &
Gamble, fez o MBA na Columbia University, em Nova Iorque, e entrou para a
empresa da família em 2005. Cumpria-se o seu sonho: “Desde pequeno que pensava
que gostaria de trabalhar na José Maria da Fonseca. Fiz o meu percurso
académico e profissional com esse objetivo”.
Ambição e execução
A coesão familiar é também um fator de resiliência num setor sujeito a
alterações profundas. António Maria Soares Franco considera que o alinhamento
entre os membros da família é decisivo. Por isso, “é muito importante haver uma
partilha dos valores que queremos que a empresa represente e da estratégia para
o futuro”. Acrescenta que o “alinhamento entre os desejos e a ambição da
família e aquilo que a equipa executiva faz é fundamental”. É essa articulação
que, na perspetiva do gestor, permite preservar a identidade da José Maria da
Fonseca e, ao mesmo tempo, preparar a empresa para continuar a crescer nas
gerações seguintes.
A sua visão para a continuidade da empresa familiar assenta numa combinação de
valores e capacidade de execução, fundamental quando a quebra do consumo
mundial de vinho, as alterações climáticas e a pressão sobre as bebidas
alcoólicas obrigam a encontrar novas respostas.
Além da liderança empresarial, António Maria Soares Franco assumiu a
presidência da direção da ACIBEV, Associação de Vinhos e Espirituosas de
Portugal. Nesse papel, defende uma abordagem que considere toda a cadeia de
valor, em vez de procurar respostas isoladas para as dificuldades de cada
segmento. “Numa altura de crise, é importante encontrar soluções para o setor
na totalidade. Quando há dificuldades, existe a tendência para cada um olhar
apenas para o seu problema, mas isso não resolve os desafios da fileira”,
concluiu António Maria Soares Franco.
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