A coesão familiar é o segredo da continuidade

Gerir uma empresa familiar com quase dois séculos de história implica conciliar a preservação de um legado com a necessidade de transformar o negócio. A José Maria da Fonseca, fundada em 1834, é hoje gerida pela sétima geração da família.

27 de outubro de 2026 às 11:13
António Maria Soares Franco, co-CEO da José Maria da Fonseca Foto: D.R.
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“Desde pequeno que pensava que gostaria de trabalhar na José Maria da Fonseca. Fiz o meu percurso académico e profissional com esse objetivo”, explica António Maria Soares Franco, co-CEO da José Maria da Fonseca, responsável pelas áreas de marketing e vendas, no programa Economia Sem Fronterias do canal NOW. A seu lado estão o primo Francisco Soares Franco, co-CEO responsável pelas áreas de produção, logística e qualidade, e Sofia Soares Franco, responsável pela comunicação institucional e pelo enoturismo. Os três constituem a sétima geração na gestão da José Maria da Fonseca. Estão à frente da empresa desde 2020, quando foi elaborado um protocolo familiar que rege as relações entre a gestão e a propriedade.
A responsabilidade de assegurar a continuidade de uma casa com esta dimensão é grande, mas também constitui uma motivação pessoal. “É uma grande responsabilidade estar à frente de uma empresa com 200 anos, mas também uma grande motivação. Ao fim do dia, trabalhamos para os nossos filhos. O que pode ser mais entusiasmante?”, interroga-se António Maria Soares Franco. A ligação entre gerações não significa, porém, que a empresa possa limitar-se a repetir o passado. A história da casa inclui várias mudanças que alteraram a forma de produzir, comercializar e apresentar os vinhos.
António Maria Soares Franco considera que a continuidade depende sobretudo da coesão entre os acionistas, de uma estratégia partilhada e de uma gestão capaz de concretizar os objetivos definidos. “É fundamental haver alinhamento quanto à estratégia e aos valores que a família quer que a empresa tenha, e depois uma equipa executiva que dê vida a essa ambição”, refere António Maria Soares Franco. Após ter feito Gestão na Católica de Lisboa, passou pela Procter & Gamble, fez o MBA na Columbia University, em Nova Iorque, e entrou para a empresa da família em 2005. Cumpria-se o seu sonho: “Desde pequeno que pensava que gostaria de trabalhar na José Maria da Fonseca. Fiz o meu percurso académico e profissional com esse objetivo”.

Ambição e execução

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A coesão familiar é também um fator de resiliência num setor sujeito a alterações profundas. António Maria Soares Franco considera que o alinhamento entre os membros da família é decisivo. Por isso, “é muito importante haver uma partilha dos valores que queremos que a empresa represente e da estratégia para o futuro”. Acrescenta que o “alinhamento entre os desejos e a ambição da família e aquilo que a equipa executiva faz é fundamental”. É essa articulação que, na perspetiva do gestor, permite preservar a identidade da José Maria da Fonseca e, ao mesmo tempo, preparar a empresa para continuar a crescer nas gerações seguintes.
A sua visão para a continuidade da empresa familiar assenta numa combinação de valores e capacidade de execução, fundamental quando a quebra do consumo mundial de vinho, as alterações climáticas e a pressão sobre as bebidas alcoólicas obrigam a encontrar novas respostas.
Além da liderança empresarial, António Maria Soares Franco assumiu a presidência da direção da ACIBEV, Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal. Nesse papel, defende uma abordagem que considere toda a cadeia de valor, em vez de procurar respostas isoladas para as dificuldades de cada segmento. “Numa altura de crise, é importante encontrar soluções para o setor na totalidade. Quando há dificuldades, existe a tendência para cada um olhar apenas para o seu problema, mas isso não resolve os desafios da fileira”, concluiu António Maria Soares Franco.

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