A internacionalização do recrutamento de engenheiros
A estratégia internacional da Ordem dos Engenheiros privilegia três áreas de relacionamento: os países de língua portuguesa, os parceiros europeus e os mercados com os quais foram desenvolvidas relações de proximidade, como a Colômbia e o México
“Se outros países vêm recrutar profissionais a Portugal, também devemos ir buscar os nossos engenheiros à Dinamarca e a outros mercados. Precisamos de desenvolver uma política de atração de talento e não apenas assistir à saída dos nossos profissionais”, afirmou Fernando de Almeida Santos, bastonário da Ordem dos Engenheiros, no programa Economia Sem Fronteiras, do canal Now.
A internacionalização pode, contudo, assumir diferentes formas. Uma coisa é um engenheiro emigrar e trabalhar exclusivamente para uma empresa estrangeira; outra é integrar um projeto internacional ligado a uma empresa portuguesa, contribuindo para a expansão das suas atividades e para a criação de riqueza em Portugal. Fernando de Almeida Santos deu o exemplo concreto de uma “feira de emprego” na qual a Dinamarca procura recrutar engenheiros em Portugal: também “devemos ser nós a recrutar na Dinamarca”.
Adverte, no entanto, que “há que ter algum cuidado institucional. Porque dou pequenos exemplos. Temos feito isso recentemente no Brasil e vamos fazer, para a semana, na Colômbia e em Angola. Nesta, solicitaram-nos que não lhe chamássemos feira de oportunidades de engenharia em Portugal, mas oportunidades mútuas de engenharia Portugal-Angola”.
Fernando de Almeida Santos considera que, na captação de talento internacional, “a Ordem dos Engenheiros tem uma vantagem competitiva e comparativa face à maioria das congéneres internacionais, que é ter essa competência conferida pelo Estado português de poder reconhecer, em reciprocidade, imediatamente, um engenheiro em Portugal”.
Protocolo com o Brasil
A estratégia internacional da Ordem dos Engenheiros privilegia três áreas de relacionamento: os países de língua portuguesa, os parceiros europeus e mercados com os quais foram desenvolvidas relações de proximidade, como a Colômbia e o México. A instituição procura facilitar a mobilidade profissional e criar condições para que a circulação de engenheiros produza benefícios para ambas as partes.
O protocolo com o Brasil ilustra a dimensão destes movimentos. Desde 2016, a Ordem recebeu 10.326 candidaturas de engenheiros brasileiros, das quais 4.790 resultaram em inscrições efetivas. No sentido inverso, foram registados 344 pedidos de engenheiros portugueses para obter reconhecimento profissional no Brasil.
Para Fernando de Almeida Santos, a diferença reflete, em parte, a dimensão dos dois países e a atratividade da Europa. O Brasil tem cerca de 220 milhões de habitantes, enquanto Portugal tem pouco mais de dez milhões. Mas há também uma procura associada aos investimentos previstos em Portugal e à insuficiência de profissionais disponíveis para responder às necessidades das empresas.
“Temos um fator de atratividade muito forte. Há uma grande procura de engenheiros brasileiros pelas oportunidades existentes em Portugal e pelos investimentos que estamos a realizar. Falta-nos, porém, um número suficiente de engenheiros para responder à capacidade instalada das empresas”, afirma Fernando de Almeida Santos. O bastonário recordou que, quando a Ordem dos Engenheiros assinou este protocolo, em 2015, com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, este “quis impor um limite de 500 para que nós não invadíssemos o Brasil. Quando perceberam que eram eles que estavam a invadir Portugal, quiseram abolir os 500 para poderem vir mais”.
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