Centro de IA para Europa está na Deloitte Portugal
Em 2025, a Deloitte Portugal prestou com equipas nacionais serviços de valor acrescentado e de elevada complexidade a mais de 70 países e é hoje um dos principais hubs tecnológicos da rede Deloitte, presente em 150 países e com mais de 500 mil colaboradores
As receitas da Deloitte Portugal mais que duplicaram desde 2018, devendo chegar a 410 milhões de euros em 2026. Além disso, 45% vêm de serviços que são prestados a clientes internacionais, quando em 2018 não chegavam aos 40%. Para António Lagartixo, CEO e managing partner da Deloitte Portugal, “os fatores principais que levaram a esse crescimento foram o alargamento do leque de serviços que prestamos às empresas e aos clientes, uma fortíssima aposta em tudo o que é inovação e tecnologia e a nossa cultura, as pessoas, o talento que temos na nossa organização. Somos uma empresa de serviços profissionais e, como tal, não ter o melhor talento disponível não é uma opção e, portanto, foi também uma aposta que fizemos”.
António Lagartixo explicou no programa Economia Sem Fronteiras que a Deloitte tem feito várias integrações de equipas, como os serviços jurídicos, a criatividade, o mobile development e a sustentabilidade, que permitiram alargar as suas valências no mercado nacional. “É uma organização de serviços profissionais multidisciplinar cada vez mais completa”, sublinhou.
A inovação e a tecnologia são, desde há alguns anos, vetores estratégicos para o desenvolvimento da Deloitte Portugal. Esta aposta permitiu “trazer uma série de valências e competências para Portugal desenvolver o nosso negócio, não só em território nacional, mas também em termos internacionais”, afirmou António Lagartixo a Miguel Frasquilho, anfitrião do programa Economia Sem Fronteiras, emitido no canal Now.
Centro de Inteligência Artificial para a Europa
António Lagartixo recorda que no “ano passado, prestámos serviços com equipas nacionais para mais de 70 países. É uma amplitude e uma diversidade muito grandes a partir de Portugal, com equipas nacionais, algumas delas a fazerem algumas deslocações ao estrangeiro, mas a maioria a partir de Portugal”. São serviços de valor acrescentado e de complexidade para mercados desenvolvidos da América do Norte, principalmente os Estados Unidos e Canadá, da Europa Central e da Europa do Norte, como a Inglaterra, Alemanha, Dinamarca e Bélgica. “Internacionalmente, não jogamos o jogo, passe a redundância, do low cost, do baixo custo”, disse António Lagartixo.
Este trajeto fez com que a Deloitte Portugal seja um dos principais hubs tecnológicos da rede Deloitte, uma das principais organizações mundiais no setor dos serviços profissionais, nomeadamente consultoria e auditoria. “A prova desta capacidade foi o facto de ter sido atribuído à Deloitte Portugal um dos cinco centros mundiais de desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial. Na Europa, Portugal é, atualmente, o único centro para suportar de maneira muito especializada as equipas que temos em cada um dos países nestas áreas. Prova que Portugal é visto, hoje em dia, na nossa rede internacional, como um centro de talento, muito especializado e preparado para lidar com temas de alta complexidade”, esclareceu António Lagartixo.
A brutal transformação tecnológica
A transformação associada à inteligência artificial, à automação e à análise avançada de dados “é brutal. Não consigo arranjar outra forma de o dizer”, confessou António Lagartixo. As grandes diferenças desta transformação relativamente às anteriores são “a magnitude e o impacto, que são muito radicais, e, por outro lado, a velocidade a que esta transformação está a acontecer”.
António Lagartixo identifica oportunidades “extraordinárias”, mas também algumas ameaças, em particular para as empresas e os players do mercado “que estiverem mais distraídos ou que forem mais lentos a adotar essa transformação”. Mas também para a Deloitte, porque esta disrupção fará desaparecer serviços prestados.
A Deloitte vai investir, a nível global, três mil milhões de euros em inteligência artificial, o que significa que a empresa vai “estar na linha da frente desta transformação e, com isso, auxiliar os nossos clientes a fazer esta transformação”, refere António Lagartixo. Defendeu que a tecnologia poderá aumentar a competitividade das empresas portuguesas, com falta de dimensão e de escala, na disputa global de mercados.
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