Disputa mundial tecnológica chega ao Web Summit
A inteligência artificial e a robótica intensificam a competição tecnológica entre as principais potências mundiais e levanta questões de regulação, partilha de conhecimento e estratégia geopolítica. Na edição de 2026 do Web Summit, Lisboa reúne representantes da China, dos Estados Unidos e da Europa
“Com este recente desenvolvimento fortíssimo da inteligência artificial, da robótica e de outras tecnologias, decidimos este ano fazer uma forte aposta em juntar os três principais grupos que trabalham nestas matérias”, explica Artur Alves Pereira, vice-presidente e country manager do Web Summit para Portugal e Brasil. O objetivo é colocar estas diferentes geografias em diálogo, mostrar as suas tecnologias e o que de melhor é feito, para compreender as transformações em curso. A iniciativa procura dar visibilidade às tecnologias desenvolvidas nas diferentes regiões e promover o debate sobre inteligência artificial, robótica, regulação e partilha de conhecimento, num contexto internacional marcado pela incerteza e pela competição estratégica.
A presença chinesa inclui empresas de diferentes áreas tecnológicas. A Tencent, conhecida internacionalmente pelo WeChat, e a Xiaomi, que atua não apenas nos smartphones, mas também na indústria automóvel, representam a amplitude deste universo. A organização prevê igualmente a participação de empresas como a Pony AI, ligada à condução autónoma, e de fabricantes de robôs humanoides, como a Agibot e a Galbot. Do lado americano e europeu, o programa inclui empresas como a Amazon e a Replit, que participam no debate sobre as tecnologias que transformam os modelos de negócio e a atividade económica.
O ecossistema internacional da inovação vai estar em Lisboa. “O Web Summit é um catalisador, ajuda a acelerar processos de tomada de decisões”, diz Artur Alves Pereira. Adianta que a presença de C-levels das maiores empresas do mundo permite “ver tudo o que aqui se passa, perceber o talento que existe, perceber as políticas públicas de atração de investimento e o ecossistema nacional que existe”.
Lisboa é o evento-flagship
Para Artur Alves Pereira, “todos os decisores estão em Lisboa na segunda semana de novembro, uma vez por ano, e criam-se oportunidades de estabelecer parcerias, de atrair investimento e de investir nas startups nacionais. Cria-se a tempestade perfeita positiva para que algo aconteça”. O Web Summit funciona, assim, como uma plataforma de contacto entre o ecossistema português e os principais agentes da economia digital.
A dimensão internacional do evento coloca igualmente em evidência a importância de Lisboa enquanto sede. O contrato com a cidade termina em 2028 e outras localidades têm manifestado interesse em acolher o encontro. Para Artur Alves Pereira, a decisão não depende apenas da atratividade turística: exige uma combinação de acessibilidade, infraestruturas, talento, universidades e políticas públicas favoráveis à inovação. “Este evento não é sobre turismo, é sobre tecnologia, startups, inovação”, afirma. As ligações aéreas, a capacidade hoteleira e a experiência proporcionada aos participantes são fatores relevantes, mas devem ser acompanhados por um ecossistema capaz de alimentar o evento e beneficiar das oportunidades que este cria.
Lisboa reúne, na perspetiva do responsável, condições importantes para continuar a acolher o Web Summit. “Em 2016 não tínhamos colaboradores em Portugal; em 2026 somos mais de 130 e temos o segundo maior escritório da empresa.” Neste período, o Web Summit expandiu-se para outros mercados, embora Lisboa seja “o evento-flagship, é o evento principal”, como frisa Artur Alves Pereira. A rede inclui o Rio de Janeiro, no Brasil, Doha, no Catar, e Vancouver, no Canadá. Segundo os indicadores referidos na entrevista, o número de participantes cresceu 91,8% no Rio de Janeiro, mais de 100% em Doha e quase 30% em Vancouver, considerando os períodos de comparação apresentados para cada evento.
Esta expansão permite alargar as oportunidades de contacto com mercados internacionais e apoiar a internacionalização das empresas portuguesas. O Brasil, com mais de 200 milhões de consumidores, constitui um mercado particularmente relevante. Artur Alves Pereira aponta a SheerMe, cuja faturação brasileira já supera a nacional, como exemplo de uma empresa que beneficiou desta rede. No Médio Oriente, destaca a HealthTech Portugal, que avançou para a abertura de operações na região
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