“Não engarrafamos azeite, criamos marcas”

A produção de azeite é de grande variabilidade, o que desafia a consistência do produto. Por isso, têm mapeados milhares de produtores para encontrar anualmente o que consideram ser o melhor azeite para os seus mercados

16 de março de 2026 às 08:59
António Casanova explica que a Gallo assegura em Abrantes todo o processo de seleção, loteamento e preparação do azeite, num modelo assente na consistência do produto e na valorização da marca Foto: DR
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“Em Portugal temos um grande centro que compra azeite, atesta a sua qualidade, faz o blending, a mistura de vários azeites para conseguir o perfil que queremos, e engarrafamos, preparamos e exportamos. É feito numa única fábrica em Abrantes, que é um grande centro de competência com as várias capacidades necessárias para fazer o azeite e os produtos que exportamos”, disse António Casanova, CEO da Gallo Worldwide e da Unilever-FIMA, no programa Economia Sem Fronteiras, do canal Now.

Na área de produção está um terço dos cerca de 200 colaboradores, enquanto os restantes dois terços estão dedicados à criação de marca, desenvolvimento de marca, criação e desenvolvimento de produto e distribuição. “Este modelo é completamente deliberado, e decorre da nossa estrutura acionista. Não somos engarrafadores de azeite, somos criadores de marca, e dois terços da nossa força de trabalho está dedicada a criar marcas e não a engarrafar azeite, e é o que nos diferencia dos nossos concorrentes”, explica António Casanova.

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Este modelo baseia-se sobretudo no modus operandi da Unilever, que “é uma das maiores empresas mundiais de bens de consumo e uma das empresas mais reconhecidas pela sua capacidade de criar marcas. Temos toda esta osmose, as nossas pessoas conhecem estas lógicas”.

Expansão do portefólio

A produção de azeite é de grande variabilidade e esse é um desafio para manter a consistência do produto. O que é confirmado por António Casanova. “Mais de quatro quintos das amostras que nos chegam à fábrica são recusados. Aprovamos menos de 20% das amostras que nos chegam.” António Casanova acrescenta que “na Gallo não queremos ser donos de terras, porque, neste caso, pode existir uma grande pressão para engarrafarmos e pormos no mercado o que a terra nos dá, não necessariamente o melhor azeite”. Por isso, têm mapeados milhares de produtores para encontrar anualmente o que consideram ser o melhor azeite para os seus mercados.

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A Gallo tem expandido o seu portefólio para vinagres, azeitonas, molhos e conservas, numa diversificação de negócios baseada na denominada dieta mediterrânica. Para António Casanova, a Gallo é, a prazo, uma “marca extensível, porque achamos que conseguimos vender produtos, não necessariamente apenas à volta da azeitona, mas produtos que tenham uma lógica mediterrânica. Há alguns mercados próximos do azeite que nos interessam, mas têm de ter alguma dimensão e temos de achar que a marca pode ser exportável. Temos duas ou três que são óbvias, temos outras que testamos com sucesso variável”.

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