A turbulência desta década levou a TMG Automotive a criar maior flexibilidade e rapidez produtiva, melhores tempos de resposta aos clientes e uma maior diversificação de produtos, geografias e cliente
Os impactos mais significativos na indústria automóvel são a energia, o custo da matéria-prima e a escassez de produto”, referiu Isabel Furtado. De facto, como mostrou Miguel Frasquilho, entre 2019 e 2025 houve alguma volatilidade. Os resultados, medidos pelo EBITDA (Resultados antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações), aumentaram 3,3%, mas, em 2022, houve uma queda abrupta para 11,4 milhões de euros, cerca de metade do valor médio dos três anos anteriores. O EBITDA recuperou nos anos seguintes, atingindo, em 2025, 25,7 milhões de euros.
Como explica Isabel Furtado, este período foi marcado pelo impacto da pandemia em 2020-21 e pela disrupção significativa das cadeias de abastecimento, à qual se seguiu uma escassez de matéria-prima, que aumentou o seu custo. Em 2022, a guerra na Ucrânia trouxe uma subida acentuada de preços, nomeadamente da energia e das matérias-primas.
“Como trabalhamos com programas de 3 a 6 anos, com preços acordados, não foi possível passar os custos extraordinários para os projetos que já estavam em fase de produção”, lembrou Isabel Furtado. O plano de ação para mitigar os impactos incluiu “uma gestão industrial super-rigorosa, em termos de eficiência energética, controlo e redução de desperdícios, rentabilidade”.
Entre 2019 e 2025, o volume de negócios da TMG Automotive subiu de 127,8 milhões de euros para 151,2 milhões de euros, mais 18,3%, apesar da pandemia, das perturbações nas cadeias logísticas e dos ciclos difíceis do setor automóvel. Como salienta Isabel Furtado, “tivemos de criar maior flexibilidade produtiva, sermos mais ágeis, mais rápidos, porque é fundamental conseguirmos responder ao que o cliente precisa no tempo certo, é uma questão de oportunidade”.
Recorda ainda a diversificação geográfica, bem como a aposta noutros setores e em produtos menos expostos à pressão dos preços, nomeadamente soluções para a eletrificação do automóvel, mais leves e mais sustentáveis. Em alguns casos, tentaram “fazer uma partilha de custo com os clientes e renegociar os contratos durante o tempo em que os produtos estão em produção”, assinala Isabel Furtado.
A CEO da TMG Automotive considera que a estratégia passou também pela diversificação de clientes e pela entrada em novos modelos. “Tínhamos mais ou menos 20 fabricantes, entre os quais a BMW e a Mercedes, e atualmente temos mais de 30”. Isabel Furtado realçou ainda “o investimento constante em conhecimento, tanto através das parcerias com as universidades, como da colaboração com os nossos clientes, para estarmos um pouco à frente das exigências do mercado”.
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